O zagueiro Adaílton considera Wanderley Luxemburgo o melhor técnico com quem já trabalhou, mas o funcionário do Santos que lhe serve de referência profissional é outro. Quando pendurar as chuteiras, o jogador pretende seguir a mesma carreira de Nilton Petrone, o Filé, renomado fisioterapeuta do Peixe.
“Toda minha família já trabalha na área médica. Eu fazia fisioterapia, mas não deu para continuar por causa do futebol”, lamentou Adaílton, cuja irmã possui uma clínica na Bahia. “Quem sabe, eu possa fazer uma sociedade com ela mais para frente. Sabendo que o Filé está aqui no Santos, então, dá ainda mais motivação. Vou perguntar algumas coisas para ele”, arregalou os olhos.
Apesar de se espelhar em Filé, por enquanto quem vem ajudando Adaílton é mesmo Wanderley Luxemburgo. O técnico do Santos o levou para conversar com o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, que possui uma universidade no município, a Unisanta. “A idéia era tentar estudar lá. Mas, se a gente continuar nesse ritmo de treinos´e jogos, pode ser impossível. Vou acabar faltando muito nas aulas e nas provas”, comentou o zagueiro.
Luxemburgo já declarou algumas vezes que de não instrui apenas profissionalmente seus jogadores, mas também dá outros conselhos. “Ele é disparado o melhor treinador que eu já tive. Tudo o que eu ouvia por ele se confirmou, e ainda percebi que ele é muito mais do que falam. É técnico, companheiro e psicólogo. O que faz 100% de diferença para o Santos é a sua comissão técnica”, exaltou Adaílton.
Ser como Luxemburgo, no entanto, não inspira o jogador. Ele até gostaria de trabalhar na imprensa esportiva futuramente, como fazem alguns dos desafetos de seu comandante, mas jamais virar técnico. “Não pretendo continuar no futebol, que é um meio um pouco sujo, em que você não tem estabilidade. Ser treinador, então, nem pensar. Talvez eu me animasse em ser comentarista, como o Marcelinho Carioca e o Muller são hoje, que é uma coisa mais tranqüila”, especulou o jogador.
A maior vontade de Adaílton é mesmo seguir a carreira de fisioterapeuta. Por isso, ainda que não tenha tempo para freqüentar uma faculdade, ele segue se dedicando aos estudos. “A educação e a cultura são importantes sempre. Quando era mais novo, fiz curso de línguas. Hoje, continuo lendo muito. Isso é fundamental porque a carreira de jogador é curta. Não quero me entregar ao ostracismo depois”, raciocinou o zagueiro do Santos, que sonha em continuar trabalhando de branco quando deixar de ser jogador.