A campanha surpreendente na Copa do Mundo de 2002 – quartas-de-final – colocou os Estados Unidos como uma das forças emergentes do futebol, mas na Alemanha tal fama não ficou comprovada. Sorteados no grupo mais equilibrado da primeira fase ao lado de Gana, Itália e República Tcheca, os norte-americanos despediram-se sem vencer uma partida sequer.
Porém, para amenizar a decepção, restam para os Estados Unidos se apegarem a dois detalhes: contra as seleções classificadas da chave, Itália e Gana, as partidas foram equilibradas. Para completar, muito dos jogadores utilizados pelo técnico Bruce Arena têm menos de 25 anos e a renovação pode surtir efeito nos próximos Mundiais, já que os norte-americanos só têm os mexicanos como adversários à altura na Concacaf e são presenças quase certa na África do Sul.
Desastre total só mesmo na estréia contra os tchecos: 3 x 0 com direito a olé. Com um time excessivamente defensivo, o treinador viu a necessidade de mudar no jogo seguinte, contra os favoritos italianos, e o resultado foi satisfatório. O placar terminou em 1 x 1, mas os norte-americanos foram melhores durante o primeiro tempo e agüentaram a pressão de jogar com um a menos (Mastroeni e Pope, pelos EUA, e De Rossi, pela Itália, foram expulsos) durante praticamente toda a etapa final.
Precisando da vitória para ainda ter chances de classificação, Estados Unidos equilibraram o jogo contra Gana, mas faltou brilho e poder de decisão. Resultado: derrota por 2 x 1 e uma despedida melancólica do capitão Reyna, que depois de 12 anos de serviços prestados se aposentará da seleção.
No primeiro gol do jogo, o atacante que tem 122 partidas pelos Estados Unidos perdeu a bola para Draman e ainda sentiu contusão que o obrigou a abandonar o campo antes do intervalo.
O meia Landon Donovan, principal nome da campanha histórica de 2002, também decepcionou: não marcou gols, não deu passes e esteve sumido na maior parte das partidas. Com apenas 24 anos, o jogador precisará de mais regularidade se quiser seguir os passos de Reyna e liderar a seleção norte-americana nos próximos anos.
Em contrapartida, estreantes em Copas como o zagueiro Onyewu, o meia Dempsey e os laterais Convey e Cherundolo surpreenderam, mostraram qualidades e provaram que a renovação promovida por Bruce Arena pode render resultados num futuro próximo se for mantida.
Outras peças fundamentais, como Mastroeni, Bocanegra, Beasley e Lewis também beiram os 25 anos, o que fortalece a tese de que o papel de coadjuvante dos Estados Unidos na Alemanha seja apenas circunstancial.