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Futebol

Enquanto não deixa os gramados, Zidane aposenta adversários

Arquivo Geral

02/07/2006 0h00

Zinedine Zidane já se despediu do Real Madrid em maio, mas insiste em continuar na ativa com a seleção francesa até 9 de julho, dia em que promete deixar Berlim com o bicampeonato mundial. Diziam que ele não iria além da primeira fase – quando os gauleses tiveram que derrotar Togo sem seu maestro para avançar –, mas a verdade é que, ao invés de pendurar as chuteiras, Zizou vem aposentando quem cruza seu caminho.

Os companheiros de Real Madrid pretendiam dar um fim de carreira mais melancólico ao craque francês. O primeiro a tentar foi Raúl, ícone da seleção espanhola que se intrometeu no caminho da França nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. “O Zidane é um grande jogador, que já se despediu do Real Madrid e anunciou sua aposentadoria. Tomara que seu último jogo seja contra a Espanha”, desafiou o atacante merengue. Coitado. A Fúria amarelou de novo e Zidane fechou o placar do confronto em 3 a 1. “No final, foi a França que aposentou a Espanha”, provocou o meia.

Quartas-de-final. Era a vez do quadrado mágico, dos também colegas de Real, Ronaldo, Roberto Carlos, Cicinho e Robinho. O último caiu na mesma armadilha de Raúl. “Espero que o Zidane encerre a carreira no sábado”, gargalhou o Rei das Pedaladas, às vésperas de encontrar Zizou como adversário. Após a partida, derrotado por 1 a 0 e eliminado da Copa do Mundo, Robinho também sorriu ao cumprimentar o francês, mas com uma expressão amarela, que se transformou em choro nos vestiários.

Zidane é galáctico como seus companheiros, mas não é vértice de nenhum quadrado mágico na Copa do Mundo. No máximo, é a ponta de uma linha que liga o meio-campo francês até o solitário atacante Thierry Henry (seu desafeto?), que o Brasil inteiro conhece a qualidade por experiência própria. Nos Bleus, ele não tem Beckham ao seu lado, Roberto Carlos e Cicinho nas pontas, Ronaldo, Raúl ou Robinho no ataque. E destoa. Resolve. “Parece que flutua em campo”, acrescenta Juninho Pernambucano, que, na ausência de Zizou, assumiu seu reinado no futebol francês.

Raúl, que falou muito e chegou até a ser reserva durante a Copa, completou 29 anos no dia em que perdeu para a França. Talvez ele já não esteja na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, uma vez que já na Alemanha sua escalação foi contestada pelo técnico Luis Aragonés. O atacante é o maior destaque espanhol dos últimos anos e, portanto, também símbolo de uma geração que não fugiu à regra e amarelou no Mundial. Esse estigma a Fúria não quer mais.

Mais um jogador do Real Madrid encerrou seu ciclo na seleção espanhola graças a Zidane: o lateral-direito Michel Salgado, que vai completar 31 anos em outubro e era o mais velho de sua equipe. E, se Zidane é carrasco dos seus companheiros merengues, de brasileiro, então, nem se fala. O volante Marcos Senna, que sentiu o sabor de disputar uma Copa com a Espanha, dificilmente joga outra. Ele vai estar perto dos 34 anos no próximo Mundial.

Enumeremos os demais brasileiros aposentados da seleção canarinho pelo camisa 10 francês. Dos convocados por Carlos Alberto Parreira, a idade deve impedir que vistam novamente a amarelinha pelo menos Dida, Rogério Ceni, Cafu, Emerson, Roberto Carlos, Zé Roberto, Juninho, Gilberto Silva, Ricardinho, Mineiro e Gilberto, todos com 33 anos ou mais em 2010. Isso sem falar que Ronaldo – outro jogador do Real Madrid – também terá quase 34 anos na Copa da África.

Que se cuidem os veteranos de Portugal, Alemanha e Itália, seleções ainda vivas na Copa do Mundo. Principalmente Luís Figo, próximo a enfrentar a França na Copa do Mundo. Ele pode estar na Internazionale de Milão agora, mas jogou um bom tempo com Zidane no Real Madrid. Que não o provoque, como fizeram Raúl e Robinho!

O volante Júlio Baptista, brasileiro que joga no Real Madrid, agora já deve estar contente por ter sido esquecido por Carlos Alberto Parreira. Foi o único merengue a não amargar uma derrota para o ex-companheiro francês. E, afinal, ele ainda tem idade para, como Robinho, participar do próximo Mundial. Zizou, hoje com 34 anos, já avisou – para o bem da nação – que não vai estar lá.

Se bem que, com a forma que está, não daria para o maestro repensar essa aposentadoria? “Ele pode ter 30, 40 ou 50 anos. Sempre vai fazer alguma coisa com a bola nos pés. Espero que continue em Madri”, puxou o lobby o veterano Roberto Carlos, dois dias antes de arrumar o meião no gol francês em cima da seleção brasileira. “Eu me pergunto a razão de Zidane parar se ele continua tão bom quanto há quatro anos. Se joga bem, tem que continuar”, reforçou o ex-jogador alemão Franz Beckenbauer, após a eliminação do time de Carlos Alberto Parreira.

Enquanto Zidane ofuscou outro badalado camisa 10, o brasileiro Ronaldinho Gaúcho, na Copa do Mundo, o quadrado virou trágico e os veteranos penduram as chuteiras, o clima de eleição esquenta no Real Madrid. As promessas são de contratações de novos galácticos, como Adriano, Kaká, Robben e até o francês Ribéry, aquele que se assemelha com o argentino Tevez na bola e fisicamente.

Enquanto isso o maestro da seleção francesa deixa os gramados. Como já fizera após a trágica participação do país na Copa de 2002. Mas mudou de opinião na metade de 2004, quando a França sofria nas eliminatórias. Na época, alegou forças "ocultas" e ter ouvido "vozes" que pediam seu retorno. Após o Mundial da Alemanha, será que novos pedidos podem aparecer?

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