Marcus Eduardo Pereira
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Anjo Loiro da Gávea, Sávio foi ao lado de Romário um dos ídolos do Flamengo no fim dos anos 1990. Vindo da base rubro-negra, o atacante herdou a camisa 10 do ídolo Zico, fez sucesso e seguiu para o futebol europeu, onde fez carreira no Real Madrid. Agora, com as chuteiras penduradas, quer ajudar o clube espanhol a entrar no mercado brasileiro.
O ex-jogador é diretor técnico do projeto de seleção de crianças e jovens entre 5 e 17 anos para o clube de Madri. Neste ano, o Real fará cinco clínicas em cinco cidades do Brasil, a começar por Brasília, entre os dias 4 e 8 de julho. O lançamento do projeto acontece amanhã, no Iate Clube, e além de Brasília percorrerá por Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza e Recife. As inscrições já estão abertas. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, Sávio falou sobre o novo projeto, lembrou dos tempos de Real e alertou sobre a atual situação turbulenta pela qual seus clubes do coração passam.
Como você vê essa aposta de clínicas do clube no País?
Essa é uma oportunidade de trazer o nome do Real Madrid para o Brasil, de apresentar sua metodologia, que dispensa comentários.
Por que você acha que foi escolhido?
Tenho uma identificação muito grande com o clube e, principalmente, com a torcida. Sempre vou à Espanha e estou sempre em contato com o clube. Quero trazer isso para o Brasil, é importante. Foram cinco temporadas, em um período de hegemonia do Real Madrid. Conquistamos três Liga dos Campeões, um Mundial, campeonatos espanhóis. Era um time vencedor.
Qual a diferença daquele Real Madrid para o atual?
Não posso falar agora porque não convivo com eles, mas na minha época existiam grandes craques e éramos muito unidos. Tínhamos muita segurança na frente, pois contávamos com Hierro e Redondo, que seguravam bem atrás.
O trabalho do Zidane te agrada?
Tem que dar tempo para o projeto do Zidane. Está fazendo um bom trabalho, mesmo pegando o time no meio da temporada.
Como você avalia o time nessa temporada? Acha que consegue avançar na Liga dos Campeões?
O Real Madrid alternou vários momentos bons e ruins. Realmente, contra o Wolfsburg, o time foi muito ruim, mas fez uma grande partida contra o Barcelona. Nesta fase da Liga dos Campeões o Real sempre demonstrou que tem condição de reverter essas situações, principalmente jogando em casa.
No Flamengo, o principal ídolo não consegue emplacar. Você acha que a equipe está pronta para restante da temporada?
A fase ruim não é só do Guerrero. Ele não tem feito gols, mas o Flamengo não tem um time espetacular para colocar essa bola para ele. O Muricy tem encontrado dificuldade em montar um time ideal. Para disputar uma competição como o Brasileiro, vai precisar de reforços.
O que pode ajudar o clube em um futuro próximo?
O Flamengo sempre foi um clube que conquistou mais títulos quando a base formava a maioria da equipe. Cansei de fazer preliminar com 20, 30 mil pessoas no Maracanã quando era da base.
E como você vê essa nova geração, com Felipe Vizeu, Ronaldo, Lucas Paquetá?
Nos três últimos anos vi um trabalho muito bom sendo realizado na base do clube. Conheço alguns profissionais que estão lá, e, agora, estão colhendo os frutos.
Em ano de Olimpíada, você pode se lembrar do que ficou marcado na que você disputou?
Em 1996 tínhamos um grupo muito forte, o que aconteceu contra a Nigéria foi uma fatalidade. Para mim, foi uma honra representar a seleção brasileira e conquistar uma medalha de bronze.
E o que você acha que acontece com a atual seleção?
Confesso que acho uma fase ruim. Desde a falta de transparência da entidade (CBF) até a falta de comando, dentro e fora de campo. Depois da Copa, acreditávamos em uma grande mudança e nada aconteceu. Além disso, falta identificação com a torcida, nunca sabemos o que vai acontecer.
O que pode ajudar a melhorar a crise técnica da seleção?
Se o Dunga ficar, é preciso que a CBF de todo o suporte a ele. Mas, se for para tirá-lo, é preciso fazer isso agora, pois essa situação está fazendo mal à comissão técnica, aos jogadores e à torcida brasileira.