No duelo entre um dos favoritos ao título da Copa do Mundo e um debutante em Mundiais, na próxima terça-feira no Westfalenstadion, em Dortmund, o Brasil, além da tradição, tem a seu favor, contra Gana, o fato de só colecionar vitórias contra seleções africanas na história das Copas. O jogo da próxima semana, válido pelas oitavas-de-final, será o quinto confronto brasileiro contra equipes da África. Nos outros quatro jogos disputados, quatro vitórias e 10 gols marcados. Melhor ainda: a meta brasileira nunca foi vazada pelos africanos em Mundiais.
O primeiro duelo da história entre Brasil e África em Copas aconteceu exatamente na Alemanha, na Copa de 1974, quando o time de Zagallo bateu o Zaire por 3 x 0, gols de Jairzinho, Rivellino e Valdomiro. Na Copa de 1986, a equipe do mestre Telê Santana sofreu para vencer a Argélia, por 1 x 0, gol de Careca. Em 1994, na campanha do tetra nos Estados Unidos, com o mesmo Parreira de 2006, nova vitória tranqüila: 3 x 0 sobre Camarões. Romário, Márcio Santos e Bebeto anotaram para o Brasil.
O último confronto brasileiro em Copas contra os africanos aconteceu na França, em 1998. Ronaldo, Rivaldo e Bebeto, comandados por Zagallo, marcaram os gols na vitória sobre Marrocos por 3 x 0. Nesta partida, o Fenômeno assinalou o seu primeiro gol em Mundiais, iniciando uma trajetória histórica. Na goleada de quinta-feira à noite sobre o Japão, por 4 x 1, em Dortmund, Ronaldo igualou o feito do alemão Gerd Muller, chegando a marca de 14 gols na história das Copas. E pode, contra Gana, passar a líder isolado da artilharia.
Triste lembrança
Se o currículo verde-amarelo sobra contra equipes africanas em Copas do Mundo, por outro lado o Brasil também já foi vítima da África no futebol. Nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, nos Estados Unidos, a seleção brasileira foi derrotada na semifinal pela Nigéria por 4 x 3, depois estar vencendo a partida. Os africanos empataram o jogo e conquistaram a vaga à final com o extinto gol de ouro. Três jogadores daquela seleção são titulares absolutos do time de Parreira na Copa 2006: o goleiro Dida, que protagonizou um lance bisonho num dos gols da Nigéria, ao trombar com o zagueiro Aldair e deixar o atacante nigeriano livre para marcar, o lateral Roberto Carlos e o atacante Ronaldo.
Para amenizar o fiasco brasileiro, a Nigéria derrotaria a Argentina na final da Olimpíada e levaria o título. Como consolo, o Brasil aplicou 5 x 0 em Portugal e ficou com a medalha de bronze.