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Futebol

Duelos incomuns e 46,4 mil km esperam o Corinthians na Série B

Arquivo Geral

03/12/2007 0h00

O retorno do Corinthians à primeira divisão do Campeonato Brasileiro não será nada fácil. O primeiro passo a ser dado na tentativa de voltar para a elite é conter a crise interna, exposta desde o rompimento da conturbada parceria com a MSI. O segundo degrau ao topo passa pela reestruturação da equipe e, provavelmente, de um novo treinador.

A caminhada, porém, durará – no mínimo – oito meses e terá a extensão de 46,4 mil km. Afinal, esta é a distância da via crucis pela qual passará o Timão ao longo de 2008 em sua trajetória na Segundona, em idas e vindas ao longo das 38 rodadas do certame. E a distância só não será maior por causa da ausência de times da região norte brasileira na competição. No ano do maior vexame de sua história, para se ter uma idéia, o Alvinegro percorreu 33,7 mil km antes de ser rebaixado.

Outra diferença que o Corinthians sentirá em seu primeiro ano na segunda divisão em relação a 2007 será a cidade mais longa a que irá disputar uma partida oficial. Neste ano, o time deixou o Parque São Jorge e viajou 2.947 km para enfrentar o América de Natal. A distância em 2008 será um pouco mais longa: 3.127 km, para enfrentar Fortaleza e Ceará.

A região nordeste, aliás, será a que mais vezes verá o Timão em campo na Segundona – além do Sudeste, casa da equipe: seis vezes. O Corinthians viajará para uma vez para Bahia e Alagoas (onde encarará respectivamente Bahia e CRB) e duas para Ceará (para enfrentar Fortaleza e Ceará) e Rio Grande do Norte (Estado palco dos duelos ante América-RN e ABC).

A única equipe representante da capital paulista da competição ainda viajará quatro vezes para o Sul (onde duelará com Juventude, Avaí, Criciúma e Paraná) e três para o Centro-Oeste (para medir forças com Brasiliense, Gama e Vila Nova). Caso não enfrente nenhum carioca ou mineiro pela Copa do Brasil, o Corinthians passará um ano sem viajar para Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Se pelo Brasil as viagens serão longas, dentro do Estado de São Paulo os trajetos corintianos serão mais curtos. Das seis equipes conterrâneas do Timão na Série B, apenas Marília fica a mais de 100 km da capital (443 km, exatamente).

As demais cidades são mais próximas, sendo que três fazem parte da região metropolitana da capital: São Caetano (13 km), Santo André (22 km) e Barueri (30 km). As interioranas Bragança Paulista, terra do Bragantino, fica a 88 km de São Paulo, enquanto Campinas, da Ponte Preta, fica a 99.

A ida para a Série B do Campeonato Brasileiro também irá marcar duelos que há tempos não acontecem, segundo as informações do Almanaque do Timão. O principal deles é contra o Avaí, rival do Corinthians em apenas uma partida até então. O único duelo entre os dois times foi travado há 65 anos, em 1943, em um amistoso realizado em Florianópolis e vencido por 4 a 3 pelo Timão.

Outra equipe que poucas vezes teve o sabor de enfrentar o Timão é o Vila Nova, que não encarou o time mais popular de São Paulo duas vezes: em 1967 (0 a 0 em Goiânia) e 1978 (3 a 0 para o Corinthians no Pacaembu). Contra o ABC, por sua vez, foram três duelos: em 1972 (3 a 0 para o Timão), 1977 (1 a 0) e o mais recente, em 1996 (uma goleada por 4 a 0 pela Copa do Brasil).

A próxima edição da Série B também verá o duelo de dois ex-vencedores da primeira divisão, que voltará a ser realizado em 2008. Campeão de 1988, o Bahia, rebaixado em 2003, voltará a encontrar o Corinthians, dono de quatro troféus nacionais (1990, 98, 99 e 2005), quatro anos depois de ser rebaixado.

Na sua trajetória pela Segundona, o Timão poderá adquirir também o tom de ‘sertanejo’. O clube do Parque São Jorge enfrentará oito equipes que não pertencem à capital de seu Estado – um número quatro vezes maior se comparado a 2007, quando apenas dois rivais (Santos-SP e Juventude-RS) não eram da capital. Neste ano serão, além de Santo André, São Caetano, Barueri, Bragantino, Marília e Ponte Preta, ainda Criciúma (SC) e, novamente, o Juventude.

Para retornar à elite do futebol brasileiro, no entanto, o Corinthians poderá pedir conselhos a dois adversários marcados na história do clube: o arqui-rival Palmeiras, que passou por calvário semelhante em 2003, e o Grêmio, que ‘enterrou’ o Timão no Olímpico no domingo.

Mas além de Verdão e Grêmio, outros times considerados grandes não deverão se esquecer tão cedo de suas passagens pela Série B, como Atlético-MG, Botafogo e Sport, e até pela Terceirona, como foi o caso do Fluminense.

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