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Futebol

Drama no Irã muda a vida do zagueiro Padovani

Matheus Garzon
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O capixaba Leandro Padovani, de 34 anos, passa por um momento delicado e luta para voltar a andar. O zagueiro, revelado pelo Gama (2001) e com passagem pelo rival Brasiliense, sofreu uma séria lesão na cervical, em fevereiro deste ano, durante uma partida pelo Estheglal, um dos clubes mais populares do Irã, e ficou sem os movimentos do corpo. Ainda em recuperação, Padovani não tem previsão de quando voltará a caminhar e virá à Brasília, no fim deste mês, em busca de novos tratamentos.

Em uma conversa por telefone, direto de Teerã, capital do Irã, Padovani falou com o Jornal de Brasília e deu detalhes de sua recuperação e relembrou momentos de sua passagem pelos gramados de Brasília.

O atleta veio para o Distrito Federal em 2000, por causa de um tio que viu no garoto potencial para jogar futebol. “Eu já jogava no Espírito Santo. Quando fui para o DF, fiz um teste no Sub-17 do Gama e passei. Era uma época que o time tinha uma estrutura muito boa, inclusive de base”, relembra o defensor.

Em 2002, o alviverde começou a passar por dificuldades financeiras. Mesmo com o título do Candangão de 2003, o Gama optou por negociar Padovani com o Brasiliense. “Foram anos muito bons por lá (Brasília). Ganhei vários campeonatos locais (2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008), a Série B do Brasileirão de 2004 e chegamos até a semifinal da Copa do Brasil em 2007”, lembra o zagueiro. “Era uma época em que os times do DF contratavam grandes jogadores. Infelizmente, hoje, os clubes não estão no mesmo patamar”.

Sem nunca conseguir o status de titular no Jacaré, Padovani virou um andarilho da bola e passou por alguns clubes, como Bahia e Volta Redonda. Em 2008, ele decidiu se aventurar no futebol dos Emirados Árabes Unidos, no Hatta Club.

E foi lá que ele ouviu falar, pela primeira vez, do futebol iraniano – ele joga lá desde 2012. “Tinha um brasileiro no meu time que já tinha jogado no Irã. Eu assistia aos jogos pela tevê e ele falava muito bem do país para mim”, conta. “Quando se fala do Irã, as pessoas se assustam. Pensam em guerra, homem-bomba… Mas vivendo aqui, senti um povo muito acolhedor”.

O zagueiro Padovani começou a carreira no Gama, em 2000, mas logo foi negociado com o Brasiliense. Minervino Júnior/Cedoc

Dedicação e paciência

O 24 de fevereiro era um dia de alegria para Leandro Padovani. Voltando ao time titular do Esteghlal, o zagueiro teria a oportunidade de jogar contra o ex-time, o Foolad, onde foi campeão iraniano em 2013/2014. Faltavam poucas rodadas para o fim do campeonato e era a chance de conseguir a renovação do contrato, que acabava em maio.

Durante a partida, uma bola alta veio na direção do brasileiro. Ao subir para cortá-la, Padovani foi atropelado por um companheiro de time. Na queda, o defensor bateu a cabeça no chão e ficou desacordado. “No lance, eu vou cabecear a bola, mas um jogador do meu time vem correndo e tromba comigo. Ele não deve ter me visto e não me lembro do lance. Só começo a me lembrar das coisas já no hospital”, relata.

A vértebra C6 se deslocou da seguinte, a C7, e causou uma lesão na coluna cervical. “O médico disse que tudo o que poderia ser feito, foi feito. Por ter lesionado a medula, perdi os movimentos do corpo. Agora é uma luta diária para me recuperar. Faço musculação e fisioterapia todos os dias, das 8h às 16”, conta. Padovani já recuperou o movimento dos braços e a sensibilidade das pernas.

Segundo o zagueiro, agora é seguir firme o tratamento e esperar o andamento da recuperação. “Tem pessoas que voltam a andar seis meses depois e tem quem demora 15 anos. Não tem como fazer uma previsão de melhora”, afirma Padovani.

Saiba Mais

Em maio deste ano, quando o contrato de Leandro Padovani com o Estheglal acabou, o clube não renovou o vínculo e deixou o brasileiro sem nenhuma assistência médica.

Quando os torcedores do time iraniano souberam do descaso da diretoria com Padovani, uma grande manifestação pelas redes sociais foi feita para que o brasileiro fosse reintegrado à equipe.

Uma mudança na cúpula de dirigentes do Esteghlal aconteceu, neste meio tempo, e os novos comandantes do clube recontrataram Padovani, agora em uma nova função, como assistente técnico, e prometem ajudá-lo pelo tempo que for necessário.

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