Manuela Rolim
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Desde que reinaugurou o Mané Garrincha, em maio de 2013, o Governo de Brasília tenta fazer com que o estádio seja palco de grandes disputas e, de certa forma, justifique o custo bilionário. Não por acaso, empresários têm trazido jogos importantes para a cidade com frequência. A chegada de eventos ao gramado da capital, entretanto, veio acompanhada de denúncias envolvendo membros da Federal Brasiliense de Futebol (FBF).
Recentemente, um áudio, gravado no último sábado e divulgado nas redes sociais, revelou uma conversa entre o empresário Leandro Franco de Brito – um dos responsáveis por trazer disputas ao Mané – e o advogado da FBF e presidente do Bolamense Futebol Clube, Antônio Teixeira, conhecido como “Pastor”. Na gravação, Leandro listou uma série de denúncias contra o atual diretor de futebol e logística da federação, Neimar Frota.
Ele é acusado de lucrar com a venda de ingressos destinados aos clubes federados. Em um dos trechos é possível ouvir o empresário afirmando que Neimar negociou 350 cortesias com um cambista. Leandro disse ainda que descobriu a prática depois de contratar uma pessoa para segui-lo. Além disso, o diretor da federação teria exigido o comando do bar do estádio nos dias de jogos e, consequentemente, faturado sozinho o caixa. Em apenas uma única partida, entre Flamengo x Coritiba (17/09/16), a estimativa é que ele tenha lucrado algo em torno de R$ 200 mil.
Todo esse “poder” era usado por Neimar para chantagear Leandro, segundo o áudio. Em outro trecho, o empresário disse que o diretor sempre lhe ameaçava com “se não me der o bar eu não libero o jogo, não libero os alvarás”.
No entanto, ao ser procurado pelo Jornal de Brasília, ontem, Leandro negou todas as acusações que ele próprio fez contra Neimar. O empresário disse que o teor da conversa foi dito em um “momento de fúria e que tudo era mentira”. Por outro lado, o Pastor, que confirmou ter gravado a conversa, alertou para uma possível ameaça. “Não é possível ele (Leandro) ter mudado de opinião em três dias. Provavelmente, está sendo ameaçado. Tudo o que ele falou é verdade. Gravei para precaver os interesses legítimos da federação”, declarou o advogado.
Ainda segundo ele, as denúncias são antigas. “Eu já sabia disso, mas não tinha provas. Quando percebi que o assunto era grave, registrei. Deixei que ele falasse à vontade”, completou. Ao ser questionado se o áudio era uma possível “vingança” contra o atual diretor por causa de desavenças antigas, ele negou.
Negações e ameaça de processos
O acusado Neimar Frota também foi procurado pelo JBr.. Ele se diz vítima da situação e acrescentou que vai processar o advogado Antônio Teixeira, o Pastor. “Eu nunca vendi ingresso, nem passei para cambista. Muito menos fiquei com o bar do estádio”, ressaltou.
Já o empresário Roniélton Pereira – sócio da Roni7 Consultoria Esportiva, responsável por trazer partidas importantes para o Mané Garrincha ao lado de Leandro Franco de Brito – fez questão de explicar que o denunciante não é sócio da empresa. “Ele apenas foi contratado em alguns jogos como parceiro investidor”, disse Roni.
Questionado se Leandro será chamado para trabalhar na disputa entre Fluminense x Corinthians, agendada para o dia 16 de junho pela mesma empresa, o ex-jogador Roni informou que ainda não definiu a equipe.
Em nota, a Federação Brasiliense de Futebol (FBF) informou que não reconhece a veracidade dos fatos, nem mesmo a autenticidade do conteúdo do áudio. A FBF disse ainda que não tem envolvimento nos jogos de fora realizados no DF. De acordo com a entidade, o seu papel é apenas de chancela para as partidas.
“Os trâmites para a realização dos jogos fica por conta da federação de origem, do time mandante e dos organizadores dos eventos. A Federação do DF irá tomar todas as providências cabíveis para esclarecimentos dos fatos, bem como irá processar toda e qualquer pessoa que tenha usado o nome da entidade para obter vantagens, além de abrir processos administrativos para analisar a participação dos envolvidos”, concluiu a federação, por meio da assessoria.
“As denúncias são gravíssimas. Vamos apurar e tomar uma decisão coletiva entre todos os dirigentes. Por enquanto, ninguém será afastado até que a apuração seja concluída”, completou o presidente da FBF, Erivaldo Alves.
Saiba mais
No áudio, o empresário Leandro Franco de Brito ainda acusou o atual diretor de futebol e logística da Federal Brasiliense de Futebol (FBF), Neimar Frota, de ficar nas catracas do Mané Garrincha vendendo ingressos. Segundo o denunciante, ele já encontrou o diretor em muitas partidas. “Há algum tempo eu filmo o Neimar. Eu peguei ele conversando com um cambista. Todo jogo, ele vai para a portaria e coloca o irmão dele para trabalhar”, completa Leandro, na gravação. “Não é à toa que Neimar reclamou quando ele disse que não entregaria mais ingressos”, acrescentou o empresário. “Disse que seria lista de convidados e ele não gostou”.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília