Chapéu de palha na cabeça, bermuda estampada, chinelo de dedo e tintas na mão. Lá se vai Carlos Alberto, conhecido como Roberto da Ema, fazer mais uma proeza nas estátuas de sua autoria, que ficam no balão do Recanto. Sempre que pode, o artista, com o apoio do comércio local, caracteriza a obra-prima de acordo com a ocasião. As estátuas já se passaram por renas que puxavam o trenó do Papai Noel, mas desta vez estão sendo trajadas com os uniformes das seleções da Copa das Confederações.
Uma ave em pé e outra no ninho, Roberto diz que a maior representa o país anfitrião da Copa – a ema com o uniforme canarinho tem o moicano do Neymar, em homenagem ao principal jogador da atual seleção –. A outra, sempre é pintada com o adversário do Brasil.
“Vou tirar o uniforme da Itália e agora é a vez da estátua ficar uruguaia. Espero que o Uruguai não nos surpreenda de novo, como foi na Copa de 1950”, recorda o artista, ao citar o triste confronto que rendeu o título à seleção celeste no último Mundial no Brasil. “Eles calaram o Maracanã e desta vez não vai acontecer de novo”, torce.
HOMENAGENS
Homem “mil e uma utilidades”, Roberto da Ema espera que o Brasil leve a taça com 100% de aproveitamento. “É a primeira vez que somos anfitriões de uma Copa das Confederações, nada melhor do que ser campeão sem derrota”, almeja. “A gente tem que ganhar porque não quero mexer na Ema-Neymar (risos)”, brinca.
Patriotismo à parte, Roberto afirma que, caso o Brasil não leve a melhor, a estátua permanecerá ao lado da outra pintada com as cores da seleção campeã. Além disso, um outro país será homenageado pela humildade que conquistou os brasileiros. “Se o Brasil perder, a ema ficará ao lado do país que for campeão. No meio das duas, vou colocar uma bandeira do Taiti. Os caras merecem.”
Cuidado todo especial com as obras
Criatividade e bom humor são o que não faltam para Roberto da Ema. Satisfeito com a repercussão positiva das novas formas das aves, ele diz que na Copa do Mundo tudo será diferente, pois não gosta de repetir ideias.
“Em 2010, uma era o Kaká e a outra o Lúcio porque eles eram os únicos brasilienses que nos representavam na seleção. Hoje, elas representam os países, mas no ano que vem as colocarei para descansar e serão apenas emas, tadinhas”, planeja o artista, músico e ator que foi um dos primeiros moradores da cidade, há 20 anos.
Roberto diz que o diferencial do balão do Recanto para o Mundial do ano que vem será outro. “Não vou deixar a Copa passar em branco. Então, as letras que nomeiam nossa cidade aqui ao lado das estátuas, serão pintadas de verde e amarelo”, confessa.
CUIDADO NECESSÁRIO
Autor da obra, Roberto disse que foi pego de surpresa quando o administrador da cidade, em 1993, o procurou para que confeccionasse as emas. Após ter aceitado o desafio, ele mantém um cuidado particular com elas até então. “Uma vez soube que haveria uma manifestação aqui. Como sei que vândalos sempre aparecem, trouxe um pincel bem pequeno e fiquei aqui pintando as estátuas até que a manifestação acabasse”, conta.