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Futebol

Corintianos e hermanos torcem juntos pela Argentina de Tevez

Arquivo Geral

21/06/2006 0h00

Carlitos Tevez domina a bola, dribla dois adversários, a torcida se levanta, berra seu nome e se desespera com a finalização errada. Na seqüência, gritos de “Vamos, Carlitos”, antes da explosão e do coro: “Carlitos, Carlitos, Carlitos”.

Não, não. Esta não é uma lembrança antiga de uma partida do Corinthians. Mas sim uma cena presenciada nesta tarde de quarta-feira em um restaurante da zona sul de São Paulo, onde dezenas de argentinos e “alguns” corintianos se reuniram para ver o frustrante empate sem gols entre Argentina e Holanda pela última rodada do grupo C da Copa do Mundo.

Em reunião promovida pela Câmara de Comércio da Argentina, o nome de Carlitos Tevez era o mais repetido pela hinchada. Além dele apenas Leonel Messi e Pablo Aimar mereceram aplausos ou gritos empolgados dos argentinos. Uma cena surpreendente se levar em consideração que os três são reservas de José Pekerman. Com os titulares e destaques do futebol europeu (Sorín, Crespo, Riquelme e Cambiasso), a reação era fria e limitava-se a tímidos sorrisos.

Mas o motivo da paixão é simples. “Carlitos e Messi (ou Memê, como chamado pelos torcedores) são o fiel reflexo do povo argentino. Da paixão pelo tango e pelo futebol. Eles representam uma nova geração e que a gente confia muito. Por isso gostamos tanto deles”, resumiu Marcelo Rodrigues, empresário nascido em Buenos Aires e há cinco anos no Brasil.

E as palavras não vêm de um corintiano fanático pelo camisa 11 como é o caso de Thiago Gonçalves, um brasileiro que levou a camisa do Timão a tiracolo para a partida, assim como outras quatro pessoas no local. “O Carlitos realmente desperta uma paixão no argentino. Para nós, ele e Messi representam o despertar de uma nova Argentina”, explicou Rodrigues, antes de gritar “Carlitos” para os outros argentinos.

A reação deixou atônito o corintiano Gonçalves, que não esperava a paixão argentina pelo atual ídolo da Fiel. “Não sabia que era assim. Imaginava que eles fossem gritar pelo Riquelme, pelo Crespo, mas nada disso. Eles gostam mesmo é do Tevez e do Messi”, afirmou para logo em seguida berrar “Timão, eô” ao lado de um dos proprietários do restaurante, o também corintiano Valdir dos Santos.

A modelo Antonella, ex-participante do reality show Big Brother Brasil, ressalta que este “sentimento” pelos dois jovens talentos não se limita aos argentinos radicados no Brasil. “Voltei ontem (terça-feira) da Argentina e lá está assim também. É só Carlitos e Messi. É incrível a paixão dos argentinos por eles. Mas eles merecem, jogam prá caramba”, revelou.

Sobre o jogo, os torcedores se deram por satisfeitos com o empate desta quarta. Curtindo um vinho argentino e uma parrilla, prato típico local, os argentinos já esperam o possível confronto contra a Alemanha nas quartas-de-final da Copa. “Jogamos para ganhar, mas não deu. O importante foi passar em primeiro e agora vamos passar fácil pelo México. Aí vem a prova real com a Alemanha. Estou confiante”, apontou o comerciante Horacio Elche.

Já Antonella não escondeu o seu receio para o duelo com os anfitriões. “Acho que o Brasil, a Argentina e a Alemanha são os times mais fortes. Não sei se a Argentina passa da Alemanha, pois será muito duro. Se ganhar, está na final e aí será o Brasil”, afirmou.

Aliás, o Brasil é um desejo comum dos argentinos. Confiantes na reação do time de Carlos Alberto Parreira, eles já sonham com uma decisão colocando à prova a maior rivalidade do continente. “Aí será lindo e vamos ganhar de vocês”, comentou Elche. E com Tevez do lado deles, como fica o corintiano? “Aí, eu sou Brasil. Mas enquanto não vale nada, torço pelo Tevez e pelo Masc”, comentou Aguiar dos Santos, antes de ir para a pista improvisada dançar tango.

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