Guus Hiddink faz mistério quanto à equipe titular da Austrália que enfrentará o Brasil no próximo domingo, em Munique, e isso parece estar afetando o trabalho do técnico Carlos Alberto Parreira nos treinos em Königstein. Nesta sexta-feira, o treinador comandou uma série de atividades, entre as quais o destaque foi a insistência quase contínua no aperfeiçoamento das jogadas de contra-ataque.
Entre as tradicionais sessões de bola parada com Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e Juninho Pernambucano, Parreira testou duas possibilidades que acha favoráveis aos australianos. Na primeira, o quadrado mágico (Ronaldinho, Ronaldo, Kaká e Adriano), tentavam passar por uma retranca armada por Cris, Luisão e Gilberto Silva.
Com a presença dos laterais, Parreira pediu para que Cafu e Roberto Carlos avançassem constantemente. Na reposição de bola, Júlio César era instruído a começar a jogada nas costas dos alas, com Ronaldinho Gaúcho cobrindo o setor pela esquerda, e Kaká pela direita.
O buraco formado pelos avanços é um dos fatores negativos levantados pelo treinador, que diante da Croácia viu Zé Roberto se adaptar bem na função pela esquerda, enquanto na direita os europeus chegavam com ampla facilidade à área. No jogo de domingo, Kaká ganhará a função extra de cair neste lado para evitar a subida alheia.
Ao final dos trabalhos específicos, os jogadores voltaram aos "passatempos" habituais, incluindo um estranho treino de 20 minutos, com apenas metade do campo de jogo, onde oito jogadores da equipe titular – exceto a dupla de zaga e o goleiro Dida – apareciam à frente contra sete reservas.
A surpresa ficou por conta da homenagem a Ronaldo. O Fenômeno se preparava para deixar o gramado quando foi chamado pelo capitão Cafu que, ao lado de Roberto Carlos, fizeram uma espécie de "torcida organizada" pelo atacante no treino de finalizações. O resultado, no entanto, não deixou de ser preocupante: apenas dois gols em cerca de 12 tentativas.