Campeão mundial em 1974 e vice em 1982 pela seleção da Alemanha (marcou gol nas duas finais, contra Holanda e Itália), Paul Breitner nunca se preocupou em ser politicamente correto quando era jogador. Já chamou um técnico de “senil”, seu auxiliar de “idiota” e companheiros de “burros”. Agora aposentado, ele continua com personalidade forte. A ponto de contestar a Seleção Brasileira de futebol e a permanência do atacante Neymar no Santos mesmo durante visita amistosa a São Paulo.
“Peço desculpas por fazer críticas, mas não estou aqui para dizer o que vocês querem ouvir”, avisou Breitner, que foi ao canteiro de obras do futuro estádio do Corinthians em Itaquera, na Zona Leste paulistana, para divulgar projeto social do governo da Baviera. “A Seleção Brasileira está em uma situação muito complicada porque vocês não mandam mais seus grandes talentos para a Europa. Não acho que o Brasil chegará bem à Copa do Mundo de 2014. Espanha e Alemanha têm os melhores times, estão dominando o futebol mundial e devem seguir assim.”
Breitner citou a opção de Neymar de ignorar as procuras de Chelsea, da Inglaterra, e Barcelona e Real Madrid, da Espanha, como argumento para o seu raciocínio. “Vocês têm que aceitar que jogadores como Neymar não querem ir para grandes times como Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Bayern de Munique, Manchester United… Isso é uma situação crítica. Os atletas talentosos deveriam desenvolver suas qualidades nas melhores ligas do mundo. Foi assim que o Brasil alcançou um grande nível nos últimos 15 anos, com jogadores indo para a Europa e aperfeiçoando ideias importantes para a Seleção. Mas vocês têm muito dinheiro no Brasil hoje, no futebol e em todas as áreas, e estão perdendo esse intercâmbio”, declarou.
A análise de Breitiner certamente não será bem vista pelos dirigentes do Santos, que já se irritaram quando o ex-atacante Ronaldo, gestor de imagem de Neymar, e Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, recomendaram o atleta a se transferir para o futebol europeu. Curiosamente, o ídolo alemão inspirou o nome de um meia santista, Overath Breitner da Silva Medina, nascido na Venezuela.
Apesar das contestações à Seleção Brasileira, o Breitner mais famoso ainda vê esperanças para os anfitriões do Mundial de 2014. “É possível que vocês joguem bem, pois estarão em casa. Normalmente, a nação que sedia a Copa é uma das favoritas. Foi assim com a Alemanha em 2006, mesmo com a força de outros times”, lembrou, otimista em relação ao seu País. “Estamos em um caminho muito bom. O grupo alemão é jovem e tem muito futuro para a próxima década. Só estamos atrás da Espanha. Vamos jogar a Eurocopa e, nos dois anos seguintes, conseguiremos nos tornar um dos grandes favoritos para a Copa.”
O entusiasmo do ídolo alemão é muito maior, contudo, ao falar da Espanha. “Eles criaram um novo estilo de jogo, desenvolvendo um conceito praticado desde as categorias de base, com atletas de 10 anos. O Barcelona é o número um do mundo. Os times que querem ser campeões devem aceitar o sistema de jogo deles. É o que está determinando o futebol atual. Acho que Espanha e Barcelona continuarão dominantes nos próximos anos, mas o Bayern de Munique e Alemanha já estão bem próximos”, concluiu o polêmico Paul Breitner.