Um dos destaques do Figueirense no Campeonato Brasileiro deste ano, o meio-campista Carlos Alberto, pode ser um dos maiores casos de “gato” – termo para designar jogador adultera a idade, passando-se por mais novo – da história do futebol brasileiro. Segundo reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira, o jogador seria cinco anos mais velho do que ele diz ser.
No registro no clube catarinense e na CBF – que incluiu passagem pela seleção brasileira sub-20 campeã do mundo em 2003 –, o jogador nasceu no dia 24 de janeiro de 1983. Mas o jornal conseguiu uma cópia de sua certidão de nascimento e do registro na maternidade onde sua mãe deu a luz, que mostra que o atleta nasceu no dia 24 de janeiro de 1978, ou seja, ele tem 28 anos e não 23.
Outra informação adulterada em documentos de Carlos Alberto é a cidade onde nasceu. De acordo com a assessoria de imprensa do Figueirense, o documento identidade diz que ele é natural da cidade fluminense se São Matheus. O problema é que não existe no estado do Rio de Janeiro nenhuma cidade com esse nome. Na certidão de nascimento verdadeira, consta que ele foi registrado em Rio Bonito, também no Rio de Janeiro.
Carlos Alberto negou a acusação de fraude e afirmou que nasceu em 1983 e tem 23 anos, mas não confirmou a cidade onde nasceu. Preferiu se calar. Seu suposto empresário, identificado apenas como Joacir, se disse surpreso com a notícia e afirmou que ele nem o jogador tinham nada a declarar sobre o assunto.
Quanto a punição, o futebol brasileiro dificilmente sofrerá sanções da Fifa por ter usado jogador irregular em seleções de base. Até porque, o Brasil tem precedentes. Sandro Hiroshi, Henrique, Bell, Rodrigo Gral e Anaílson “rejuvenesceram” para jogar campeonatos mundiais e sul-americanos e nem por isso a CBF foi punida posteriormente, quando os casos foram descobertos.
Segundo a entidade máxima do futebol mundial, isso não aconteceu porque os dirigentes do futebol brasileiro não estão envolvidos nas fraudes, como aconteceu com o México, que ficou de fora de competições internacionais por dois anos por esse motivo. A punição, nesses casos, recai sobre os atletas.