Quem não comprou o ingresso via internet para o clássico jogo entre Flamengo x Vasco no próximo domingo às 18h30 no Mané garrincha, ontem teve a chance de adquiri-lo pessoalmente nos vários pontos de venda espalhados pelo DF. Além das habituais filas e a reclamação dos altos preços, o dia foi marcado pela desorganização e falta de respeito por parte dos organizadores com os consumidores.
No ponto de venda na 308 sul, a situação pareceu confusa. Assim que a reportagem chegou ao estabelecimento, a bobina que imprimia os ingressos havia acabado e os gerentes aguardavam a reposição da mesma por mais de 30 minutos. Impedidos de tomar alguma atitude que agilizasse o atendimento, os vendedores engoliam as reclamações da torcida.
“Isto se deve à falta de organização dos responsáveis pelo jogo”, desabafa o gerente Johnne Alves, que, até então, afirmava que cada comprador poderia levar até no máximo cinco ingressos para o jogo. “A informação que tenho é que são cinco entradas por CPF, estamos cumprindo à risca o que nos foi mandado”, garantiu. Porém, quando a administradora Alice Mac chegou acompanhada pelo Jornal de Brasília para comprar muito mais do que cinco, a história mudou: “Acabei de receber a informação de que não há limite mesmo e a partir de agora vamos vender assim”, afirmou se contadizendo Johnne Alves.
Inusitado
Nas filas, não faltou criatividade. para a retirada dos ingressos para o Flamengo x Vasco no próximo domingo, o que não faltou foi criatividade. Sentados em banquinhos de madeira, Lucas Machado, Felipe Fiuza e Mateus Nogueira carregavam seus assentos com o andar da fila e sentavam novamente. “Estamos mais espertos. Fui aos outros jogos do Flamengo e se somar, perdi 10 horas”, disse Lucas.
Cambistas fazem a festa na Asa Sul
Além de toda essa desorganização, o fato de o número de ingressos por pessoa ser ilimitado é um prato cheio para os cambistas. Luciano Almeida, 35 anos, torcedor do Vasco, conversou com o Jornal de Brasília e revelou os abusos que presenciou em suas 4 horas de fila. “Cara, estou com o pé doendo. Isso é um desrespeito. Eu não compro mais. Era para eu estar estudando para concurso. Mas como os amigos vão, acabei vindo. Confesso que desanimei em alguns momentos”, desabafou.
Para piorar, Luciano conta que conseguiu comprar 16 ingressos. Nem ele acreditou que seria possível. “Li nos sites que só poderia comprar cinco. Mas meus amigos tiveram que sair para trabalhar aí liberaram. Mas o pior era um esquema que tinha aqui. Uns caras furavam fila. Saíam e vendiam cada entrada R$ 10 mais cara. E rapidinho acabava porque a galera preferia comprar mais rapidamente”, explicou.
Mais confusão
Mesmo vascaíno, Luciano comprou ingressos para alguns amigos flamenguistas. O estudante contou que talvez por ser o mandante, a parte destinada ao Vasco tinha lugar marcado. Já a do Rubro-Negro. “É um absurdo. Estou comprando para um casal de amigos. Ou seja, tem mulher no meio e já estou imaginando a bagunça que vai ser. De que adianta trazer o clássico e queimar o filme desse jeito?”, lamentou.