Laura Quariguazy
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Tem atacante, defesa, esquema tático… Todos os movimentos são calculados pelo treinador e o tempo é contado. A descrição bate com vários esportes tradicionais, mas não se engane: isso tudo ocorre numa tela de videogame. Este é o League of Legends (conhecido como LoL), que arrasta multidões ao redor do mundo e tem até campeonato mundial, o International Wildcard Invitational – só na final do ano passado, 48 mil pessoas assistiram em telões de um estádio americano, fora os espectadores em casa.
A grande procura pelo esporte movido a controles não é para menos: a equipe campeã mundial ganha a bagatela de 1 milhão de dólares.
Os números do mercado de jogos online impressionam. O mercado de games alcançou o valor de 748 milhões de dólares em 2015, e as projeções para 2018 são otimistas, com quase 2 bilhões de dólares.
No Brasil, o campeonato mais importante é o Circuito Brasileiro de League of Legends, conhecido como CBLoL, que ocorre desde 2012. Segundo a assessoria da criadora do League of Legends, a Roit! Games, para se classificar para o CBLoL, uma equipe deve inicialmente participar do Circuito Desafiante de LoL, equivalente a uma divisão de acesso.
O termômetro da febre do LoL no Brasil poderá ser sentido no próximo dia 9 de julho. Está marcado para essa data a decisão do Campeonato Brasileiro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. São esperadas 10 mil pessoas no local, além de milhares espalhadas pelo Brasil, que poderão assistir nas telas de cinema, ao vivo.
Entenda o jogo
Atualmente, o LoL é o game mais praticado no Brasil. O jogo é online e vários jogadores podem disputar ao mesmo tempo e em tempo real. No LoL, o jogador forma uma equipe de combate em busca de posições mais altas no ranking.
A interface é em um universo próprio, e os personagens contam com armamento e estratégias de ação para vencer os oponentes, num campo de batalha.
Saiba mais
A KaBum! foi a primeira representante brasileira a disputar o mundial do game. Mas ela não é a única do País.
Outras famosas pelo Brasil são a paiN Gaming, Keyd Starts, INTZ, CNB e-Sports Club, Operation Kino, Red Canids e Big Gods eSports; todas disputando o CBLoL de 2016.
Todas elas se enquadram no conceito de equipes profissionais.
Que tal morar num CT?
O mercado do LoL é tão grande que a empresa de e-commerce KaBum! resolveu criar um grupo próprio de treinamento. Desde 2013, eles juntam atletas com rendimento considerável no ranking do game e levam para uma espécie de Centro de Treinamento, em São Paulo.
Hugo Dantas faz parte da comissão técnica que treina os atletas da KaBum! Sports. Segundo ele, a rotina é bem restrita. “É a disciplina que move os jogadores. Eles são bem jovens, têm média de 19 anos, e quando você ensina a essas pessoas a terem compromissos com os horários e com os treinos, na verdade você ensina adultos a serem mais responsáveis”, afirma.
Os jogadores que vivem na “Game House”, acordam às 9h, tomam café juntos e seguem para a academia onde ficam até o meio-dia – a alimentação regrada e a disciplina são fundamentais.
Após o horário de almoço, os atletas seguem para os treinos. São dois blocos de 3h cada um, com um intervalo de 1h entre eles. Depois disso, há o momento de reunião com a equipe técnica, em que são repassados em vídeo os melhores e piores momentos dos players.