Depois de estrear sem brilho na Copa e bater a Croácia pelo placar mínimo, o Brasil voltou a campo no início da tarde deste domingo para encarar os truculentos australianos, em Munique, com Ronaldo prestigiado no ataque ao lado de Adriano. Levando a sério a promessa de não repetir o show dos argentinos diante de Sérvia e Montenegro, o time de Parreira abusou dos erros de passe e da lentidão, mas acabou “achando” a vitória no segundo tempo com um gol de Adriano aos três minutos e com Fred, aos 44.
O resultado classificou a seleção brasileira para as oitavas-de-final, já que no outro jogo do grupo, Japão e Croácia não saíram do zero. Para assegurar a primeira colocação, basta um empate diante do Japão, quinta-feira, em Dortmund.
Com o mundo todo olhando, Ronaldo, que entrou em campo ovacionado pela torcida, até que começou bem a partida, tabelando com Kaká aos dois minutos e assistindo ao meia milanês acertar um belo chute, que raspou a trave direita de Schwarzer e quase tirou o primeiro zero do placar do Stadion München.
Foi apenas um lapso de inspiração. Até o término do primeiro tempo, o camisa nove deu somente mais um chute a gol e só foi notado novamente em campo ao receber cartão amarelo por concluir uma bola para dentro das redes australianas (depois do árbitro ter interrompido o lance), e ao furar, literalmente, um chute dentro da pequena área, em um dos lances mais bisonhos do Mundial. Pouco para quem contou com o apoio maciço dos torcedores antes de a bola começar a rolar.
O Brasil não encantou, errou passes em demasia e mostrou um desentrosamento inexplicável. Além de Ronaldo não ter conseguido produzir o que dele se esperava, seu homônimo gaúcho encontrou dificuldades em sair da marcação, chegando, inclusive, a pisar na bola dentro da área em jogada pela direita.
Os lances de maior perigo da etapa inicial acabaram acontecendo em favor da Austrália. Mesmo abusando do jogo violento e das entradas maldosas, o time da Oceania conseguiu emplacar alguns contra-ataques perigosos, dando trabalho ao goleiro Dida em chutes de longa distância e bolas levantadas para a área. No minuto final, Bresciano, que substituiu Popovic, tirou tinta do travessão do goleiro brasileiro, no melhor momento do primeiro tempo.
Parreira insistiu com Ronaldo e Adriano e voltou com a dupla para o segundo tempo. A sorte sorriu para o técnico e, logo aos três minutos, os atacantes “de peso” construíram a jogada do gol. Kaká lançou, Ronaldo fez o domínio, pedalou e serviu para Adriano, que fuzilou o goleiro. Na comemoração, cumpriu a promessa e fez o gesto imortalizado por Bebeto em 1994, homenageando seu filho recém-nascido.
O futebol da seleção não melhorou depois do gol e a Austrália teve nos pés de Kewell, que acabara de entrar, a chance do empate, mas o camisa dez pegou mal na bola e não aproveitou a saída atabalhoada do goleiro Dida da meta brasileira.
Sem criatividade para construir jogadas, o Brasil parecia satisfeito com o resultado. A morosidade dos pentacampeões irritou a torcida, que passou a apoiar a Austrália e vaiar o time de Parreira a cada toque errado ou bola recuada para Dida. Os aplausos só tiveram espaço aos 25, quando Kaká aplicou uma meia-lua no campo de defesa e partiu em velocidade até o gol australiano, parando apenas nas mãos do goleiro Schwarzer.
Restando menos de 20 minutos para o final, Parreira sacou Emerson, cansado, e Ronaldo, mal no jogo, para as entradas de Gilberto Silva e Robinho. Imediatamente, o holandês Guus Hiddink sacou o zagueiro Moore para a entrada do atacante Aloisi, apostando na conquista de pelo menos um empate, que quase veio em chute de Bresciano, milagrosamente defendido por Dida.
A entrada de Robinho deu outra cara ao Brasil, e o ex-santista, em pouco mais de seis minutos em campo, chutou três vezes contra o gol australiano (mais do que Ronaldo em 71 minutos). Kaká, com uma cabeçada, também acertou o travessão e quase fez seu segundo gol na Copa.
Os minutos finais do duelo foram dramáticos, com os pentacampeões segurando a pressão australiana a todo custo. A quatro minutos do fim, Parreira ainda promoveu a estréia de Fred na Copa, colocando o atacante do Lyon em lugar de Adriano, e mostrando estrela. No primeiro toque na bola, o ex-cruzeirense aproveitou rebote do chute de Robinho, na trave, e cutucou para o gol vazio.
No final, a vitória por 2 x 0 foi suficiente para garantir a classificação para a próxima fase, mas não para massagear o ego da exigente torcida brasileira, ainda à espera da magia prometida pelo quadrado formado por Kaká, Adriano, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.