Aos 34 anos, Ronaldo encerra sua carreira nesta segunda-feira com críticas e ameaças de parte da torcida do Corinthians. Antes de ser chamado de “gordo sem vergonha” e “garoto propaganda”, ele foi campeão mundial com a seleção brasileira em 1994 e 2002, além de marcar 15 gols em Copas do Mundo, um recorde.
Ronaldo Luis Nazário de Lima é o terceiro filho de Sônia e Nélio, que se conheceram na Telerj. Um médico chamado Ronaldo, amigo do pai do jogador, ofereceu um desconto e o garoto nasceu no Hospital São Francisco Xavier, em Itaguaí-RJ. Como o padrinho também se chamava Ronaldo, o menino ganhou o mesmo nome.
Aos 10 anos, Ronaldo passou a jogar futsal no Valqueire, de Bento Ribeiro. Em seguida, foi ao Social Ramos para continuar jogando futebol de salão. No ano de 1988, um diretor do clube migrou para o São Cristóvão com a finalidade de montar um time de campo e levou o garoto magrelo e dentuço.
Em 1990, então conhecido como Cara de Rato, ele foi o destaque do Campeonato Carioca Mirim. Em sua estreia, marcou três gols diante do Tomazinho Futebol Clube. Com o passe comprado por dois empresários, Ronaldo flertou com Flamengo, Fluminense e São Paulo, mas os clubes se recusaram a financiar a chegada do jovem.
Desta forma, Ronaldo acabou no Cruzeiro e estreou no Campeonato Brasileiro de 1993 com apenas 16 anos. No dia 11 de novembro, ele começou a chamar a atenção ao marcar cinco gols na vitória por 6 a 0 sobre o Bahia. Em um dos tentos, aproveitou um vacilo do goleiro uruguaio Rodolfo Rodriguez para marcar.
As comparações com Pelé surgiram nos tempos de Cruzeiro. De fato, nos primeiros 50 jogos Ronaldo alcançou uma média de gols por partida superior a do ex-jogador do Santos (0,96 x 0,82). Campeão mineiro, ele foi convocado para a Copa dos Estados Unidos-1994, mas não chegou a entrar em campo.
Ronaldo iniciou sua trajetória no exterior no PSV Eindhoven. Ele manteve uma média de gols expressiva, faturou a Copa da Holanda-1996 e começou a ganhar massa muscular. No mesmo ano, o jogador sofreu inflamação nos dois joelhos e teve calcificação no direito. Ainda assim, ganhou seu primeiro prêmio de melhor do mundo.
A exemplo de Romário, Ronaldo saiu do PSV com destino ao Barcelona para viver uma das melhores fases de sua carreira. No time catalão, em uma forma física exuberante, marcou gols antológicos e foi campeão da Supercopa-1996, da Copa do Rei-1997 e da Recopa-1997.
Escolhido como melhor do mundo novamente em 1997, Ronaldo passou a vestir a camisa da Inter de Milão. Na Itália, ele coquistou apenas a Copa da Uefa-1998 e sofreu duas lesões graves. Em 1999, rompeu o tendão patelar do joelho direito. No primeiro jogo após a cirurgia, rompeu totalmente o tendão, já em 2000.
Na época em que jogava no clube italiano, Ronaldo disputou os Mundiais de 1998 e 2002. Na França, marcou quatro gols e levou o time até a decisão. No entanto, em um episódio controverso, sofreu uma convulsão antes da final diante dos donos da casa e acabou com o vice-campeonato.
A redenção veio na Coreia do Sul e no Japão. Após 15 meses de recuperação, ele foi bancado pelo técnico Luiz Felipe Scolari e não decepcionou. Artilheiro do torneio com oito gols, dois na final diante da Alemanha, Ronaldo se consagrou de forma definitiva com a camisa da seleção.