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Futebol

Base "caseira" da seleção é a menor na história do Brasil

Arquivo Geral

15/05/2006 0h00

A convocação anunciada pelo técnico Carlos Alberto Parreira nesta segunda-feira marcou um recorde negativo para os clubes brasileiros. Nunca, em toda a história das Copas do Mundo, tão poucos jogadores atuando no futebol doméstico foram chamados para defender o Brasil em Mundial.

Em 2006, apenas dois jogadores de times nacionais foram chamados por Parreira. Um deles já era esperado: o meia Ricardinho, do Corinthians. O outro, de certa forma, acabou sendo uma surpresa, já que Rogério Ceni não era um dos preferidos do treinador para o gol do Brasil.

A escolha do camisa um do São Paulo, porém, tornou-se inevitável depois da contusão de Marcos, do Palmeiras. Atletas que mantinham a esperança de participarem do Mundial da Alemanha e que atuam no Brasil tiveram as suas expectativas frustradas nesta segunda-feira.

O caso mais emblemático é o do lateral-esquerdo Gustavo Nery: tido como certeza na lista de Parreira, as más atuações e uma contusão nos últimos jogos do Corinthians fez o jogador perder terreno e a posição de reserva imediato de Roberto Carlos para Gilberto, do Hertha Berlim.

O atacante Ricardo Oliveira foi outro que ficou apenas na expectativa. Contratado pelo São Paulo para se recuperar de uma lesão no joelho, o jogador voltou aos gramados neste domingo, durante a derrota por 3 x 1 do Tricolor para o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.

Entretanto, Carlos Alberto Parreira não quis arriscar e preferiu relacionar Fred, do Lyon, para a Copa, em detrimento de Oliveira e de Nilmar, do Corinthians, que também nutria chances de ser chamado. O recorde negativo da lista divulgada por Parreira supera a marca da Copa do Mundo da França, quando apenas oito jogadores que atuavam no Brasil foram chamados.

O que já era pouco, se comparado aos times 100% nacionais formados nos Mundiais de 1950 até 1978. A ‘internacionalização’ da seleção começou em 1982, quando Edinho, então na Udinese, e Falcão, na Roma, foram chamados pelo técnico Telê Santana para a Copa da Espanha. O número se manteve em 1986, mas foi em 90 que o futebol nacional viu uma explosão dos jogadores ‘estrangeiros’.

Pela primeira vez, os atletas que atuavam fora do Brasil eram maioria: 12, contra dez jogadores de clubes nacionais. A situação se repetiu em 1998, com 14 ‘estrangeiros’ e oito ‘caseiros’, e agora em 2006, com apenas dois atletas de times domésticos e 21 das equipes de fora.

Na relação divulgada por Parreira nesta segunda-feira, clubes como o Real Madrid, da Espanha, o Milan, da Itália, e o Lyon, da França, cedem mais jogadores para a seleção pentacampeã do mundo do que todos os clubes brasileiros juntos.

Clubes brasileiros em Copas

Copa  Jogadores
1930      24 
1934      17 
1938      19 
1950      22 
1954      22 
1958      22 
1962      22 
1966      22 
1970      22 
1974      22 
1978      22 
1982      19 
1986      20 
1990      10 
1994      12 
1998       8 
2002      13

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