Depois de 32 anos, a Austrália voltou a disputar uma Copa do Mundo e, de quebra, alcançou sua melhor posição na história do torneio. Para retornar à principal competição de futebol entre nações, os dirigentes da Terra dos Cangurus apostaram no trabalho de um profissional já conhecido no meio do futebol por surpreender com equipes consideradas do baixo escalão: o técnico Guus Hiddink.
Os cartolas não se arrependeram, e a eliminação dos australianos aconteceu apenas nas oitavas-de-final, diante da tradicional Itália, que só conseguiu assegurar a vitória por 1 x 0 com um gol nos acréscimos, em cobrança de pênalti duvidoso.
Credenciado por levar a Coréia do Sul às semifinais em 2002, o treinador holandês tratou de impor seu estilo aos jogadores assim que assumiu a Austrália. A disciplina tática exigida pelo comandante, aliada à força dos atletas, resultou na formação de uma equipe de baixa qualidade técnica, mas bastante competitiva.
O aspecto negativo da seleção foi sua chamada marcação forte, que muitas vezes podia ser confundida à violência. Algumas “jogadas” pareciam ser importadas do nada maleável rúgbi, esporte apreciado na Oceania.
Antes mesmo da estréia, os japoneses criticaram a violência adversária, e o jogo entre as seleções começou tenso. A Austrália viu o time de Zico segurar a vitória até os 39 minutos do segundo tempo, mas virou de forma arrasadora e (literalmente) bateu o Japão: 3 x 1.
A derrota por 2 x 0 para o Brasil na segunda rodada só aguçou ainda mais a gana australiana, que, em um jogo repleto de erros de arbitragem e lances violentos, garantiu a classificação ao empatar com a Croácia. Nas oitavas, o gol italiano no último lance do jogo em cobrança de pênalti duvidoso enterrou o sonho australiano de chegar mais longe na Copa.
A seleção da Oceania se despediu do torneio com 98 faltas cometidas, apenas duas a menos que Gana. Até as oitavas, foram as duas equipes que mais fizeram infrações.
O gol de Totti não só acabou com as esperanças na Alemanha, mas também pôs fim a uma geração de jogadores da Terra dos Cangurus. O goleiro Schwarzer, com 33 anos, dificilmente volta a disputar uma Copa. Situação idêntica vive o capitão e principal jogador australiano, Mark Viduka, que completa 31 anos nesta temporada, assim como os zagueiros titulares Moore e Chipperfield.
A maior parte da base australiana já beira os 30 anos. Para se ter uma idéia, os mais jovens da equipe titular são Bresciano e Culina, que têm 25. Aliás, quem também se despede da seleção australiana é o próprio técnico Guus Hiddink, que já arruma suas malas para seguir ao rigoroso frio da Rússia, onde tentará fazer mais um milagre à frente de uma modesta seleção.