Em junho de 2009, Muricy Ramalho foi demitido do São Paulo após três anos e meio por falhar pela quarta vez seguida na luta por um título da Libertadores e, na avaliação da diretoria, não lidar com o ego de um elenco tricampeão brasileiro. Desde então, passaram Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Paulo César Carpegiani e Adilson Batista. Todos acabaram sacados por, além de ficarem sem títulos e mostrarem dificuldades na gerência de atletas, faltar a empatia com a torcida que o hoje comandante do Santos sempre teve.
No caso de Adilson Batista, os protestos nas arquibancadas foram ainda mais decisivos. Vaiado já na sua estreia, o treinador recebeu com o tempo um sempre presente grito de “burro” entre muitos palavrões. A torcida que lotou o Morumbi para saudar o milésimo jogo de Rogério Ceni e a primeira partida de Luis Fabiano teve o mesmo empenho para xingar o técnico. Assim, Juvenal Juvêncio resolveu sacá-lo para salvar o ano.
“[A torcida] Não causou [a demissão], mas seria muito difícil deixar os jogadores focados e estimulados porque com certeza entrariam sob vaias, pediriam substituição com dez minutos de jogo, xingariam. A pressão da torcida poderia influir no desempenho, seria muito prejudicial”, projetou o diretor de futebol Adalberto Baptista, responsável por avisar a Adilson que estava demitido após a derrota para o Atlético-GO.
Em sexto lugar no Brasileiro, com oito rodadas para tirar uma desvantagem de dois pontos para a zona de classificação para a Libertadores e a seis do líder, o clube valoriza ainda mais a Copa Sul-americana para se garantir no principal torneio das Américas em 2012. Na quarta-feira, o time enfrenta o Libertad, pela Sul-americana, no mesmo Morumbi que receberá o duelo contra o Coritiba no domingo, pelo Brasileiro. Novos protestos seriam certos.
Para blindar o time, Adilson foi comunicado ainda em Goiânia, a fim de evitar revolta já no desembarque da delegação nesta segunda-feira. “Não estamos receosos com a torcida. Se fosse assim, essa decisão seria tomada há seis, sete partidas. Mas agora estamos em um momento no qual não dá para tomar outra atitude”, justificou Adalberto Baptista.
Os dirigentes sentem a necessidade de motivar o elenco, dificuldade que enxergavam em Adilson. A interferência na gerência de atletas havia ocorrido na dispensa de Ricardo Gomes, que não aproveitava as categorias de base, no retorno de Sérgio Baresi para comandar revelações, já que não tinha experiência para lidar com medalhões, e na demissão de Carpegiani, responsável por polêmicas com Dagoberto e Rivaldo, por exemplo.
A diretoria deixa clara a intenção de dar um choque nos jogadores. “Essa chacoalhada agora pode ser benéfica”, previu Adalberto Baptista, admitindo que o planejamento que tanto orgulhou a administração são-paulina entre 2005 e 2008 já não está mais tão presente. “Houve uma necessidade de mudança. Esse é o futebol. Não dá para planejar com muita propriedade”, explicou o dirigente.