Se depender de seu discurso, o novo técnico do Gama, Eduardo Allax, tem tudo para cair nas graças do torcedor alviverde. Apresentado na tarde de ontem, o ex-goleiro, que defendeu o Brasiliense nos anos de 2005 e 2010, comentou sobre sua experiência no Jacaré, maior rival do Periquito. “Não tenho boas lembranças do Brasiliense. Participei de dois anos em que houve rebaixamento e não consegui ajudar da maneira que gostaria. Isso porque o clube tem algumas peculiaridades que torna difícil qualquer ajuda do atleta”, alfinetou, sem querer se aprofundar nas “peculiaridades”.
Eduardo inicia seus trabalhos na próxima segunda feira, quando parte do elenco deve se apresentar. O Gama conta com o apoio de uma empresa de assessoria esportiva que se encarregará da parte financeira do futebol. O elenco deverá ser formado por jogadores da empresa juntamente com algumas peças do próprio clube. E para fazer parte deste elenco, Eduardo apontou o que é preciso. “Primeiro o atleta não pode achar que é maior que o clube. Depois precisam ter disposição para trabalhar forte para tirar o Gama dessa longa fila sem conquistar títulos”, pontuou.
Estudando o candangão
Com um perfil moderno, o treinador mostrou que tem se preparado bastante para disputar seu primeiro Candangão ao lado do campo e apresentou alguns dados que podem ajudar nesse momento. “Estudos feitos pela comissão técnica do Gama apontam que nos últimos três anos, a média de idade dos atletas que disputam esse campeonato é de 30 anos, além do alto número de gols em bola parada”.
Adepto dos estudos e análises, o técnico conta em sua comissão técnica com um analista de desempenho de sua equipe e um observador. Isso para ter em mãos os dados possíveis. “Gosto de analisar e viver em cima de números. Às vezes, um jogador que você acha que vai mal, na verdade, foi bem e vice-versa. Não costumo trabalhar com emoção e sim com a frieza dos números e a ciência do futebol”, filosofou.
Tentando sair do buraco
De olho na possibilidade de ter seleções da Copa do Mundo utilizando o Centro de Treinamento do Gama, o clube tem investido em algumas reformas no local.
Entre elas, a mudança do gramado de dois campos. No local, está sendo plantada a mesma grama do Estádio Mané Garrincha. “Essa possibilidade existe. Mas ainda é algo que lá na frente, nosso presidente (Tonhão) poderá resolver essa situação e esses treinamentos acontecerem por aqui”, comentou um dos diretores de futebol do clube, Ademir da Silva.
O dirigente afirmou que a instalação do novo gramado serve inclusive para melhorar as condições de trabalho do próprio clube. “Foi constatado através de estudos que pelo clima de Brasília, a durabilidade da grama do Mané é maior. Estamos trazendo essa grama para o CT para que ele sempre esteja em boas condições”, disse.
O investimento vem em um momento em que o clube se encontra no fundo do poço, sem disputar nenhuma competição nacional. Uma situação que Ademir acredita que pode mudar. “O Gama é um grande clube do futebol brasileiro e está numa situação que jamais deveria estar. Para nós, a parceria é muito importante. Viemos resgatar essa grandeza do Gama e com isso vem uma projeção natural. Se fizermos um trabalho vitorioso, será bom para ambas as partes”. (M.E.P.)