A Alemanha terminou a Copa do Mundo em terceiro lugar, mas a nação anfitriã da competição conquistou os corações de muitos estrangeiros que descobriram um novo lado do país – espontâneo, alegre e orgulhoso.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que o torneio "superou todas as expectativas" e ajudou a corrigir os estereótipos que alguns têm sobre a Alemanha e os alemães.
"Os velhos clichês do passado foram substituídos por uma imagem nova e positiva da Alemanha", escreveu Blair em uma coluna especial no diário alemão Bild am Sonntag. O vencedor do prêmio Nobel de literatura e romancista Günter Grass disse ao jornal Sueddeutsche Zeitung que o ressurgimento do orgulho alemão, motivado pelas atuações convincentes da seleção, foi autêntico e sincero.
"Velhinhas gorduchas descobriram um novo estilo de maquiagem: pintar as bochechas com as cores da bandeira", disse Grass. "A bandeira se tornou uma peça de vestuário. A maneira espontânea como isso aconteceu foi cativante, inclusive para muitos estrangeiros que a experimentaram em primeira mão".
Tanto orgulho em exibir a bandeira alemã ou em cantar o hino nacional é um fenômeno recente para um país onde as crianças do pós-guerra não foram poupadas dos detalhes sombrios de sua história e dos perigos do nacionalismo.
"O espírito despreocupado e o clima de festa surpreenderam as pessoas no exterior. As pessoas não viam a Alemanha assim há décadas", disse o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional Thomas Bach ao jornal Der Tagesspiegel. A mudança de postura não passou despercebida em Israel, onde cerca de 280 mil sobreviventes do Holocausto vivem atualmente.
O diário israelense Haaretz disse que a Alemanha redescobriu o "patriotismo sadio", em oposição ao nacionalismo xenófobo.
PERÍODO INESQUECÍVEL
Apesar da eliminação de sua seleção no dia 4 de julho, o mês recém-terminado vai permanecer como um período inesquecível para os alemães", escreveu o jornal francês Le Monde.
"Eles nunca foram vistos exibindo suas cores de maneira tão explícita nem cantando seu hino com tanto sentimento, e isso inclui o período da reunificação de 1990", disse o jornal. Arjan Paans, correspondente do diário holandês Algemeen Dagblad, demonstrou uma visão parecida no site do jornal.
"Estou feliz por ter vivenciado isso numa época em que as pessoas deste país, alemães e imigrantes, agitaram a bandeira alemã alegres e despreocupados, sem criar a impressão de nacionalismo perigoso", disse Paans.
Até mesmo muitos turcos alemães, que com freqüência enfrentam discriminação e têm dificuldades para se integrar à sociedade alemã, exibiram bandeiras alemãs e turcas juntas em seus carros durante o torneio.
A imagem positiva foi reforçada não somente pelo fato do evento ter sido tão bem o rganizado, mas porque as previsões catastróficas que preocuparam as autoridades, como confrontos entre torcedores e demonstrações violentas da extrema direita, não se concretizaram.
Tirando alguns incidentes menores, houve poucos problemas. Até as festas ao ar livre na "Fan Mile", a área onde milhares de torcedores se reuniam para assistir aos jogos nos telões, foram relativamente calmas.
Também havia preocupações de que a atmosfera despolitizada do torneio pudesse ser arruinada por uma visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que pediu que Israel fosse varrido do mapa. A visita nunca aconteceu, já que o Irã foi eliminado na primeira fase. Ele havia prometido comparecer caso sua seleção se classificasse.