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Futebol

Alemanha e Itália definem quem passa à final

Arquivo Geral

03/07/2006 0h00

Antes do início da Copa do Mundo, os técnicos Jurgen Klinsmann, da Alemanha, e Marcelo Lippi, da Itália, passavam por situações completamente antagônicas: o primeiro vivia sob pressão enquanto o segundo era unanimidade nacional. Nesta terça-feira, em Dortmund, os rivais estarão frente a frente pelas semifinais da Copa, e decidirão, de uma vez por todas, quem deixará o torneio mais cedo e quem continuará sonhando em saborear a total consagração.

Massacrado pela imprensa local por residir nos Estados Unidos e comandar a esquadra nacional à distância, Klinsmann, por pouco, não foi demitido durante os jogos preparativos para o Mundial. O treinador chegou a passar por momentos de grande desgaste em 2005 em função dos resultados ruins e do difícil diálogo com os clubes alemães, mas teve o apoio irrestrito da Federação e seguiu no cargo, mesmo com a polêmica sobre a titularidade do goleiro da equipe. Oliver Kahn, ídolo nacional, perdeu a posição para Jens Lehman, um dos destaques da equipe na atual competição.

A perda da Copa das Confederações para o Brasil, a goleada sofrida para a Itália em um amistoso (4 a 1) e as derrotas nos jogos preparatórios para seleções menos expressivas como Coréia do Sul, Eslováquia e Turquia colocaram o ex-atacante na corda bamba. “No momento, a Alemanha inteira encontra-se em uma situação catastrófica e assim vejo a situação da seleção", disse o gerente do Bayern de Munique, Uli Höness, à época, inconformado com as vexatórias derrotas. Franz Beckembauer, um dos organizadores do Mundial alemão, também era favorável à queda do ex-atacante.

"Estamos todos em um processo de desenvolvimento e a equipe é forte o suficiente para atingir algo até a Copa", declarou o técnico, logo após sofrer a goleada para os italianos, em março. Três meses depois, veio a resposta: Mostrando-se um “equilibrista” habilidoso, Klinsmann não só se manteve no cargo como conquistou o respeito dos incrédulos críticos, transformando-se em herói nacional depois das vitórias sobre Costa Rica, Polônia, Equador e Suécia, e a classificação nos pênaltis diante da Argentina, para delírio de seus torcedores.

Nesta terça, o técnico chega para o duelo contra a Itália com status de favorito depois de despachar a Argentina em um jogo histórico, pois conta com dois artilheiros inspiradíssimos (Klose e Podolski), além da boa fase de jogadores como Ballack e Lahm, melhor lateral-esquerdo da Copa até o momento. A insegurança dos zagueiros Metzelder e Mertesacker não parece comprometer a confiança dos donos da casa na conquista do tetra. “Estamos confiantes e absolutamente concentrados”, sintetizou Klinsmann.

Desfalque certo para o treinador será o volante Torsten Frings. Apesar de não ter sido citado no relatório do árbitro da partida entre Alemanha e Argentina, o jogador foi julgado pela Fifa com base nas imagens da confusão generalizada que tomou conta do gramado depois do término da cobrança de pênaltis, e acabou suspenso por uma partida, podendo voltar ao time somente na decisão do Mundial ou na disputa pelo terceiro lugar. Borowski, substituto natural, deve compor o meio-campo. Se optar por um time mais cauteloso, Klinsmann poderá escalar Kehl.

Escândalo superado? Enquanto isso, na “Terra da Bota”, o técnico Marcelo Lippi, contratado para dirigir a Azzurra em 2004 com praticamente 100% de aprovação popular por sua irretocável campanha à frente da Juventus, vive uma verdadeira gangorra. A boa campanha nas Eliminatórias e as duas únicas derrotas em 27 partidas no comando da seleção deram prestígio ao treinador, mas o bom retrospecto foi todo esquecido diante do mau futebol apresentado nas quatro primeiras rodadas da Copa.

Alvo de críticas diárias nos jornais esportivos italianos e até de ex-técnicos da seleção italiana, como Arrigo Sachi, Lippi teve seu trabalho questionado principalmente após ter seu nome citado no escândalo da arbitragem, que envolveu árbitros, dirigentes de Juventus, Milan, Lazio e Fiorentina, e atletas como o goleiro Buffon e o zagueiro Cannavaro, ambos chamados para prestar depoimento. A recuperação do prestígio só veio em parte depois de bater a Ucrânia por 3 a 0 nas quartas-de-final da competição.

Atualmente, o treinador é unanimidade novamente e considerado pela imprensa italiana, ao lado do goleiro Buffon e do volante Gattuso, como o grande responsável pelo aparecimento da Itália entre as quatro melhores seleções do Mundial. “Antes parecia que nosso barco iria afundar, pois a cada dia entrava água por um buraco novo, mas o Lippi tapou todos”, brincou Gigi Riva, ex-jogador e atual dirigente da Federação Italiana de Futebol, que ainda tenta recuperar sua credibilidade.

Sem perder desde outubro de 2004, quando caiu diante da Eslovênia, a Itália também terá somente um desfalque para tentar chegar aos seu 24º jogo invicto: De Rossi, expulso contra os Estados Unidos e suspenso pela Fifa. Pendurado com um cartão amarelo, o volante Gattuso promete não “aliviar”, nem que, para isso, tenha de ficar fora da final.

“Para mim, o importante é a Itália chegar à decisão e, se para isso acontecer eu tiver de levar um cartão, levarei com muito prazer. Nosso elenco é forte e já provou que ninguém é insubstituível”, avisou o volante.

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