Estande imersivo de Minas Gerais levou algumas rotas turísticas e os sabores mineiros para a 14ª edição do Brazil Travel Market (BTM), que foi realizada no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Essa feira é uma das principais do setor turístico nas regiões Norte e Nordeste e reúne cerca de 5 mil profissionais do turismo. Mais de dez países e 175 expositores estiveram presentes, apresentando destinos nacionais e internacionais.
O Governo do Estado de Minas Gerais participou do evento em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), o Sebrae Minas e o Instituto Mundu, com a intenção de promover os destinos mineiros e fortalecer a imagem de Minas como destino completo. Além de atrair oportunidades que geram emprego, renda e desenvolvimento. Segundo a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, estar no BTM é uma oportunidade estratégica para Minas Gerais se apresentar como um destino completo, que une natureza, cultura, gastronomia e tem um acolhimento inigualável. “Nosso objetivo é mostrar ao Brasil e ao mundo que Minas tem experiências únicas em cada canto do estado, fruto do trabalho integrado entre governo, municípios, o trade turístico e as comunidades locais”, destacou.

A diretora de promoção turística da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas, Camila Moreira de Oliveira, explicou que o objetivo da Casa de Minas — o estande mineiro na BTM — era justamente divulgar o turismo mineiro especialmente para o público do Norte e Nordeste. “Esse público é muito importante, mas eles já tem praia, com destinos muito concorridos. Então Minas Gerais oferece uma diversidade grande turística, seja na parte de natureza, ou cultural com as manifestações artísticas”, comentou. Além disso, Camila destacou que Minas tem um cardápio e um leque de opções que pode ser um atrativo para esse público.
Com toda a diversidade de Minas Gerais, Camila destacou que a participação nesta feira turística tão essencial para o nicho, foi organizada de forma que pudesse destacar os principais roteiros turísticos da região que conta com 853 municípios. “Nós contamos com parcerias com as instâncias de governança regionais, que são chamados circuitos turísticos”, descreveu. A partir disso, foi criado um grupo de municípios que possuem afinidades, para que fosse possível abranger de uma forma justa o turismo do estado. “Para cada uma trazer um pouquinho do que Minas tem de melhor.”
Roteiros turísticos
O estande apresentou espaços inspirados nas regiões de Minas Gerais, com café, pão de queijo e a divulgação de quatro rotas que sintetizam o turismo mineiro. Entre elas, a Rota do Cipó. Segundo Fábio Souza, condutor ambiental da Serra do Cipó, o projeto reúne o melhor de Minas ao integrar cultura, aventura e educação ambiental. “Os condutores são capacitados para apresentar tudo com propriedade”, destacou. A região oferece hospedagem, bares, restaurantes e transporte. “Temos um roteiro completo para quem quer conhecer Minas do jeitinho que o mineiro gosta”, acrescentou. A Serra do Cipó fica a 100 km de Belo Horizonte e a 60 km do Aeroporto de Confins.
O roteiro se divide em três eixos: Jardins, Fôlego e Origens. O primeiro homenageia o paisagista Burle Marx, que identificou diversas espécies de plantas na região. O eixo Fôlego reúne atividades de ecoturismo, como ciclismo, canoagem, rapel e salto de paraquedas. Já o eixo Origens valoriza a herança cultural dos povos que habitaram a área há cerca de 12 mil anos, comprovada por pinturas rupestres e sítios arqueológicos que conectam passado e presente.
O operador de turismo de Diamantina, Jean Felipe Souza, falou ao JBr sobre a Rota do Queijo do Serro, em Minas Gerais. Ele destacou que cada região do estado tem seu próprio modo de fazer queijo e que a rota mostra, de forma autêntica, a produção típica da região serrana.

A rota leva os visitantes a fazendas centenárias, onde o queijo é feito artesanalmente há mais de 300 anos. No trajeto, é possível acompanhar as etapas de maturação e degustar variedades premiadas, como o Casca Florida, reconhecido até na França. “Mesmo fazendas próximas têm queijos com sabor, textura e cremosidade diferentes. Cada uma tem seu próprio ‘pingo’, sua bactéria, que dá alma ao queijo”, explica Jean Felipe. Segundo ele, o roteiro, desenvolvido com apoio do Sebrae e da Secult-MG, pode ser personalizado conforme o perfil do visitante, unindo gastronomia, natureza e história colonial.
O estande também apresentou a Rota da Agonia. Maria de Fátima Mendes Oliveira, associada da Associação Caminhos da Agonia, explicou ao JBr que, apesar do nome curioso, não há nada de “agonizante” nesse roteiro turístico. O termo, segundo ela, vem de Nossa Senhora da Agonia, santa venerada pelas esposas de pescadores que rezavam por seus maridos que partiam para o alto-mar. “As mulheres ficavam agoniadas esperando que eles voltassem sãos e salvos. Elas pediam proteção a Nossa Senhora, e com o tempo muitos milagres começaram a ser atribuídos a ela”, contou.
A santa tem origem em Portugal e, conforme Fátima, há apenas dois santuários dedicados a ela no mundo: um em Portugal e outro em Itajubá, em Minas Gerais. A rota turística começa em Cristina e passa por quatro municípios até chegar a Itajubá, com paradas em Maria da Fé e Pedralva. Cada cidade oferece uma experiência única — cafés e azeites premiados, e até curiosidades locais, como Pedralva, conhecida como “a cidade dos gêmeos”. “O trajeto é feito em cerca de três dias, com hospedagens e atividades noturnas em cada cidade. É uma experiência de fé, cultura e natureza que mostra o melhor do Sul de Minas”, resumiu Fátima.
A quarta rota foi a Rota do Caparaó, que, como explicou Kelly Abreu Figueiredo, condutora credenciada do Parque Nacional do Caparaó, é uma iniciativa que une quatro municípios organizados para receber turistas valorizando o que já faziam há muito tempo. “A rota foi pensada para resgatar nossa história, nossa origem e também mostrar os nossos cafés, que são os melhores do Brasil”, destacou.
Kelly contou que 14 anfitriões recebem os visitantes na rota. Por ser um roteiro mais diverso, ela recomenda mais dias para aproveitá-lo por completo. “O Caparaó Mineiro está dentro do Parque Nacional do Caparaó, onde fica o Pico da Bandeira. Nossa região reúne turismo de natureza, aventura, montanha, trekking, cachoeiras e cafés especiais”, explicou. A proposta da rota é integrar visitantes que buscam tanto os atrativos naturais, como o Pico da Bandeira, que é a terceira montanha mais alta do país, quanto às experiências ligadas aos cafés. Como destaque da programação, Kelly citou os cafés especiais. “A gente costuma dizer que nossas experiências são acima das nuvens. Temos propriedades de café a até 1.400 metros de altitude, onde é possível contemplar as montanhas do parque e saborear alguns dos melhores cafés do Brasil”, completou.
O turismo através da gastronomia mineira
No estande mineiro, foi disponibilizada uma Cozinha Viva, para que as pessoas pudessem ver os pratos típicos sendo feitos e pudessem experimentá-los. Além disso, o estande contou com cafés especiais, queijos premiados, doces típicos, biscoitos e drinks artesanais que podiam ser encontrados no espaço.

Alguns dos pratos preparados na Cozinha Viva foram feitos por Manoela Borges Lebron, que prefere ser chamada de cozinheira e não chef de cozinha. Uma das receitas criadas por ela, como Manoela mesma disse, apareceu sem querer. Ela gosta muito de comer arroz com caldo de frango na cumbuca. E como ela tinha um peixe na geladeira, decidiu misturar o caldo com o peixe. Então nasceu a receita, que na feira foi servida com uma salada de manga verde e mamão verde, com castanha de caju. A manga verde foi adicionada, porque Manoela diz que é muito comum que os mineiros, quando crianças, consumam essa fruta verdinha com sal. Ela adicionou a memória afetiva a esse mix de sabores que fez sucesso na feira. “O peixe, as castanhas e todos ingredientes que utilizei no prato para a feira, foram comprados em Fortaleza, e fizeram a receita brilhar mais”, comentou.

Na Cozinha Viva também houve o preparo de drinks com cachaças da região. Leo Gomes, bartender especializado em cachaças, esteve na casa mineira preparando um coquetel à base de cachaça, com xarope de jabuticaba, com capim de erva cidreira e limão. Ele explicou à equipe do JBr que a cachaçaria e a coquetelaria agregam muito ao turismo, especialmente no Brasil, mas principalmente em Minas. “A bebida é algo muito regional, principalmente quando a gente fala de cachaça que é o único destilado que é 100% brasileiro e só pode ser produzido no Brasil. E não tem nada mais lindo do que oferecer o que é nosso para o turista”, comentou.

A cozinheira, quitandeira e chef de cozinha Mariana Gontijo também esteve presente na Cozinha Viva, com um prato que harmonizou com o drink feito por Leo: um pastel de angu, que ela explica ser um quitute tradicionalmente feito na região central de Minas Gerais. “Nós usamos fubá de milho criolo vermelho e recheado com frango e queijo de Alagoa, que é uma das microrregiões produtoras de queijo de Minas”, afirmou. A receita também contava com uma versão de pastel de carne moída com queijo do Campo das Vertentes – outra microrregião mineira.
Saiba mais:
Minas Gerais liderou o turismo no país pelo segundo ano consecutivo de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com crescimento 100% acima da média nacional em 2024. Ao todo, mais de 32 milhões de turistas visitaram o estado. Desse número, cerca de 42,6 mil são estrangeiros, número 10,6% maior em relação ao ano anterior, de acordo com Ministério do Turismo, Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e Polícia Federal.