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Turismo

Brasil é o 4º destino que mais cresceu no turismo internacional desde a pandemia

Levantamento da OCDE aponta alta de 46% nas chegadas de estrangeiros entre 2019 e 2025; pesquisa da Civitatis mostra perfil dos visitantes e experiências mais procuradas no país

Aline Teixeira

11/08/2026 18h00

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Foto: Reprodução

O Brasil está entre os destinos turísticos que mais avançaram no cenário internacional desde o período pré-pandemia. De acordo com o relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026, o país registrou crescimento de 46% nas chegadas de turistas internacionais entre 2019 e 2025, a quarta maior alta entre as economias da OCDE e países parceiros analisados.

O Brasil ficou atrás apenas de Arábia Saudita, com crescimento de 67%; Marrocos, com 53%; e Egito, com 47%. Em 2025, o país recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros, número 37% maior que o registrado no ano anterior.

O desempenho também chama atenção quando comparado ao de outros destinos sul-americanos. Argentina e Peru, por exemplo, registraram queda de 23% nas chegadas internacionais no mesmo período.

Mas quem são os turistas que estão escolhendo o Brasil e o que eles procuram durante a viagem? Para traçar esse perfil, a plataforma de turismo Civitatis analisou as reservas de experiências realizadas no país durante o primeiro semestre de 2026.

Argentinos lideram reservas de experiências

Segundo o levantamento, os estrangeiros representam cerca de 77% das reservas de experiências turísticas feitas no Brasil, enquanto os brasileiros respondem por aproximadamente 23%.

Entre os mercados internacionais, os países vizinhos aparecem com destaque. Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, juntos, representam quase metade das reservas.

A Argentina lidera o ranking individual, respondendo por quase um quarto das reservas. O Brasil aparece em segundo lugar, considerando o turismo doméstico, seguido pelo Uruguai.

Entre os europeus, a Espanha é o principal mercado emissor, seguida por Itália, França e Portugal.

Principais mercados emissores

  1. Argentina
  2. Brasil
  3. Uruguai
  4. Espanha
  5. Colômbia
  6. México
  7. Chile
  8. Paraguai
  9. Peru
  10. Itália

Para Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis, a proximidade geográfica ajuda a explicar a força dos países do Cone Sul, mas o interesse pelo Brasil também demonstra a capacidade do país de atrair turistas em busca de experiências.

“O Brasil deixou de ser uma promessa e virou um dos destinos que mais crescem no mundo. O que os dados de reservas mostram é que esse crescimento tem sotaque: é puxado, em primeiro lugar, pelos nossos vizinhos”, afirma.

Rio concentra quase metade das reservas

Entre os destinos mais procurados, o Rio de Janeiro aparece com ampla vantagem. A cidade concentra praticamente metade das reservas de experiências realizadas por turistas estrangeiros na plataforma.

Na sequência aparecem Salvador, São Paulo, Recife, Foz do Iguaçu e Natal. Juntos, os seis destinos representam aproximadamente três quartos de todas as reservas.

O Nordeste também se destaca como um dos principais polos turísticos, com destinos como Salvador, Recife, Natal, Maceió e Fortaleza.

O ranking ainda mostra a procura por cidades fora dos principais circuitos turísticos. Penha (SC), impulsionada pelo Beto Carrero World, e Foz do Iguaçu, conhecida pelas Cataratas, aparecem entre os dez destinos mais reservados.

Destinos mais procurados por estrangeiros

  1. Rio de Janeiro
  2. Salvador
  3. São Paulo
  4. Recife
  5. Foz do Iguaçu
  6. Natal
  7. Florianópolis
  8. Penha (Beto Carrero World)
  9. Paraty
  10. Fortaleza

Apesar da concentração no Rio, outros destinos começam a ganhar espaço. Segundo a Civitatis, Manaus registrou crescimento de 49% nas reservas no primeiro semestre de 2026, enquanto Recife mais que dobrou o número de reservas em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Ver o Rio de Janeiro concentrar quase metade das reservas confirma sua força como porta de entrada, mas o dado mais animador é a diversidade que aparece logo atrás: de Foz do Iguaçu ao Nordeste e à Penha”, afirma Alexandre Oliveira.

Tours e visitas guiadas são os favoritos

O levantamento também revela quais experiências os estrangeiros procuram durante a estadia. Desconsiderando os traslados, visitas guiadas e tours representam 37,7% das reservas, sendo a categoria mais procurada.

Os chamados free tours a pé pelos centros históricos estão entre as opções de maior interesse, especialmente no Rio de Janeiro, em Salvador e em São Paulo.

Em seguida aparecem as excursões de um dia inteiro, com passeios para destinos como Cataratas do Iguaçu, Arraial do Cabo, Petrópolis e Angra dos Reis.

A terceira categoria mais reservada é a de ingressos para atrações, que inclui locais como Beto Carrero World, AquaRio e Maracanã.

Entre as experiências individuais mais procuradas estão o free tour pelo centro histórico do Rio de Janeiro e pela Escadaria Selarón, o passeio de trem até o Cristo Redentor e o free tour pelo Pelourinho e pelo centro histórico de Salvador.

Passeios de barco também aparecem entre as opções, especialmente em destinos como Búzios, Arraial do Cabo e Angra dos Reis.

Experiências mais reservadas

  1. Visitas guiadas e tours
  2. Excursões de dia inteiro
  3. Ingressos
  4. Passeios de barco
  5. Ônibus turístico
  6. Shows e vida noturna

Para a Civitatis, os números indicam que o turista estrangeiro costuma buscar primeiro uma experiência guiada para conhecer a história e os principais pontos das cidades antes de explorar atrações específicas ou atividades relacionadas à natureza.

Turistas de longa distância gastam mais

O estudo também identifica diferenças no comportamento de consumo entre os mercados.

Turistas dos países do Cone Sul representam o maior volume de reservas, mas apresentam ticket médio mais baixo, concentrado principalmente em traslados e passeios de curta duração.

Já visitantes de mercados mais distantes, como México, Colômbia, Peru e Itália, apresentam ticket médio por reserva que pode chegar a quase três vezes o valor registrado entre turistas domésticos brasileiros e argentinos.

Esses viajantes tendem a escolher experiências mais completas e de maior valor agregado.

O cenário aponta, portanto, para uma oportunidade de expansão do turismo brasileiro: enquanto os países vizinhos garantem grande volume de visitantes, turistas de longa distância demonstram maior disposição para investir em experiências durante a viagem.

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