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Notícia Animal

Gatinhos resgatados procuram um lar

Entre filhotes e gatos mais velhos, o JBr conversou com protetoras de animais que estão procurando adotantes responsáveis para os bichos que foram resgatados

Amanda Karolyne

27/03/2026 11h15

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Filhotes resgatados que estão disponíveis para a adoção e estão sob os cuidados da protetora Katielly Valadão. Foto: Amanda Karolyne

Segundo a Confederação Brasileira de Proteção Animal (CBPA), o Distrito Federal abriga hoje mais de 1 milhão de animais desamparados. Para mudar esse quadro, muitos protetores de animais lutam diariamente para encontrar um lar para os cães e gatos de rua. É o caso de um grupo de amigas que, após acolher uma gata gestante, agora busca encontrar lares para os recém-nascidos. Ao JBr, protetoras da região detalham a importância da causa e como o acolhimento pode transformar essa estatística.

A jornalista Katielly Valadão, 34 anos, uma das responsáveis pelo resgate, contou que sempre foi apaixonada por felinos. Antes do resgate da gata, uma das integrantes do grupo mencionou, há algum tempo, que uma gata de rua estava tentando se abrigar no telhado de sua casa. “Ela entrou em contato com várias pessoas e ONGs, mas ninguém podia resgatar ou dar um lar temporário. Acabou que a gata teve uma ninhada logo em seguida e não conseguimos retirá-la de lá”, disse.

No começo de março, Katielly estava na casa dessa amiga quando a gata que estava grávida novamente apareceu na janela, como se tentasse chamar a atenção do grupo. “A gente soube naquele momento que não havia possibilidade de deixar a gatinha naquela situação e decidimos levá-la para a casa de uma das meninas para oferecer um lar temporário”, destacou. Katielly frisou ainda a importância das pessoas se abrir à possibilidade de ajudar animais de rua, mesmo que seja apenas com um abrigo temporário. “A gatinha teve quatro filhotes poucos dias depois de ser acolhida”, acrescentou.

Atualmente, a gata está amamentando a ninhada, mas Katielly afirma que a procura por bons adotantes já começou. “Assim que eles desmamarem, precisam encontrar lares definitivos, já que todas nós do grupo já cuidamos de muitos animais”, salientou. Oficialmente, Katielly é tutora de oito gatos, mas cuida de outros dois da cunhada, além de animais de rua que, por serem mais desconfiados, aceitam apenas a ração e água que ela oferece diariamente. “As outras amigas que estão contribuindo no cuidado também já têm muitos bichos para alimentar e cuidar.” As amigas estão ajudando financeiramente nos cuidados da gata e seus filhotes. 

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Foto: Amanda Karolyne

Como ela tem muita experiência em resgates e na busca por famílias dispostas a adotarem, a jornalista sabe que encontrar adotantes responsáveis não é fácil, mas segue otimista. “Estamos procurando pessoas que queiram conhecer o amor felino de verdade. A adoção tem que ser feita com muita consciência, porque um animal é um compromisso para a vida inteira.”

Para os interessados em adotar um dos quatro gatinhos, basta entrar em contato com Katielly pelo telefone (61) 98495-5603. A protetora alerta ainda para o estigma de que gatos não seriam tão carinhosos quanto cães, o que ela classifica como um mito. “Quem tem gato sabe que isso não é verdade. Eles são animais muito amáveis, que gostam de colo e de dormir junto com o dono. Independentemente da pelagem ou da cor, o que importa é a vida do animal e o amor que ele proporciona”, finalizou.

Dificuldade na hora de encontrar um lar

Katia Marsicano, 62 anos, jornalista, também é protetora de animais, e procura fazer resgate, castração e encaminhamento para adoção dos felinos que ajuda. “Eu acho que é uma coisa que qualquer cidadão poderia fazer”, pontuou. Para ela, a maior dificuldade de um protetor é encontrar bons adotantes, pessoas responsáveis que aceitem adotar de forma responsável. Ela cita que, para uma adoção responsável, é essencial que a pessoa tenha um ambiente seguro e telado para que os animais não corram nenhum risco de fugir e voltar para as ruas. “Fazemos o possível para entregar os bichinhos saudáveis, castrados e tudo e, de repente, a gente encontra um adotante que não oferece a mesma responsabilidade para eles”, frisou.

Para ela, a adoção de um animal resgatado é como uma parceria entre quem resgatou e quem vai acolher o bichano. Mas ela acredita que a maior dificuldade, em contrapartida, é que as pessoas não gostam de adotar animais pretos, tigrados ou as “escaminhas” (gatos de pelagem tricolor ou ‘manchada’). Para ela, as pessoas se preocupam muito com a estética na hora de adotar, mas esquecem de se comprometer realmente com o que estão fazendo. “Há duas semanas, arranjei uma adotante para uma gatinha preta, castrada, vacinada e testada para FIV/FeLV, com vacinação completa, mas eu recebi esse animal de volta por conta de um xixi que a gatinha fez no lugar errado”, contou. Katia apontou que é preciso paciência para compreender o período de adaptação de um bicho ao introduzi-lo em uma nova casa.

Mas ela acredita que a questão da proteção animal, principalmente dos animais de rua, já evoluiu bastante em quesito de política pública. “Os animais de rua já têm proteção legal, são animais comunitários e hoje a gente não trabalha mais no anonimato, temos um respaldo legal.” Mas ainda faltam muitos avanços na luta contra o abandono de animais, inclusive que as pessoas se desfaçam dos seus preconceitos na hora da adoção de um pet. “Os animais adultos precisam muito de adoção. Mas as pessoas têm muito preconceito e só querem filhotes.” Por outro lado, depois que adotam um cão ou gato que acabou de nascer, não têm paciência de cuidar. “As pessoas não podem adotar por impulso”, ressaltou. A adoção, ela reforça, é um processo para a vida inteira e não algo momentâneo.

Ainda de acordo com a protetora Katia, os animais, quando bem cuidados, vivem em média 15, 16 ou 17 anos. Atualmente, ela está com cinco gatos com mais de um ano que estão para adoção. “Os bichinhos adultos, os doentes e deficientes precisam tanto de carinho quanto os filhotes”, sublinhou. Para adotar um dos gatos da protetora Katia, os interessados podem entrar em contato através do número (61) 99694-8268. 

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Foto: Katia Marsicano

Para adotar é preciso levar muitas coisas em consideração, como a vida financeira ou a idade. Katia tem um questionário para levar os possíveis adotantes a refletir se querem seguir com o processo de fato. Além disso, Katia busca adotantes que moram em apartamentos com telas de proteção. Entretanto, ela fez um alerta para a população: ao encontrar um animal abandonado, ela indicou que a pessoa não repasse a responsabilidade para ninguém. “As pessoas que trabalham na proteção animal estão completamente sobrecarregadas. Então, quem resgatar um animal deve procurar cuidar, fazer o máximo que puder, porque está todo mundo sobrecarregado”, completou.

A sobrecarga das ongs

Como exemplo do esforço e sobrecarga de quem cuida dos animais, está o Instituto Lar dos Anjos Pet. A diretora administrativa Roberta Lehane Dias de Souza, reforça que o processo de adoção no abrigo é minucioso, e assim como Katia usa um questionário para conversar com os adotantes, Roberta também aponta que o processo de adoção no abrigo envolve uma entrevista detalhada para garantir a segurança dos animais. “Não é só chegar e pegar. Verificamos se a residência é adequada e analisamos até a condição financeira, porque amor não enche barriga e um animal precisa de veterinário e cuidados constantes”, explicou. Segundo Roberta, o objetivo é entender o histórico do adotante para evitar que o animal sofra um novo trauma. “Escolhemos a dedo, pois muitos não entendem que o animal precisa de tempo para se adaptar e não é um brinquedo.”

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Foto: Amanda Karolyne

O impacto psicológico de uma adoção que não dá certo é um dos maiores desafios enfrentados pela ONG. De acordo com a diretora, sempre que há uma devolução, o animal passa por um novo trauma psicológico e não entende o que aconteceu. “É muito triste, o bicho ganha um lar e depois perde sem explicação. Muitas vezes, para não devolvê-lo diretamente ao abrigo, pagamos o lar temporário do próprio bolso”, declarou. O instituto luta contra o abandono na própria porta e a sobrecarga financeira. Atualmente, o Lar dos Anjos está com 200 cães, sendo que 150 estão aptos para adoção imediata, enquanto os demais seguem em tratamento de saúde.

Se as pessoas não podem adotar, Roberta destaca que a população pode apoiar de várias formas a manter a estrutura da organização. O espaço conta com gastos relacionados a cirurgias, medicamentos e salários de funcionários. Por isso, o abrigo depende de doações e realiza eventos para custear o valor que precisam, além de divulgar e incentivar a adoção. Ela convida a comunidade a ajudar com itens de bazar, materiais de construção para a reforma da enfermaria ou ainda, com a participação no mutirão de banho previsto para o dia 19 de abril, no condomínio Privê, em Ceilândia.”Precisamos de tudo, desde coleiras até apoio financeiro para continuar resgatando e tratando esses animais”, finalizou. Para contribuir ou saber mais informações, basta acessar o perfil do instituto no Instagram: @lardosanjospet.

Medidas na luta contra o abandono 

Segundo a Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan DF), não existe órgão ou instituição pública responsável por fazer o resgate de cães e gatos abandonados no Distrito Federal. Também não há abrigo público para esses animais no DF. A pasta reforçou que o abandono de animais é crime, e denúncias devem ser feitas à Delegacia de Repressão aos Crimes contra Animais (DRCA) da Polícia Civil do DF. 

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Foto: Katia Marsicano

Ainda segundo a pasta, a castração é uma das medidas essenciais para combater o abandono de cães e gatos. O órgão atua de forma contínua para reduzir os casos de abandono e, consequentemente, o aumento de matilhas nas ruas. As ações são feitas por meio de três modalidades de castração gratuita: as campanhas, realizadas em datas previamente divulgadas com inscrições presenciais ou online; a modalidade voltada para protetores e organizações não governamentais que possuam mais de dez animais, mediante solicitação online; e o sistema Agenda DF, no qual as marcações são feitas diretamente no site oficial. Todas essas ações têm como objetivo o controle populacional, a promoção da saúde pública e o fortalecimento da guarda responsável.

Foi reforçado ainda pela pasta, que em situações de abandono ou maus-tratos, é fundamental a colaboração do cidadão, denunciando e acolhendo de forma comunitária esses animais e atuando junto ao governo nos programas de castração e microchipagem. “A Sepan desenvolve ações de orientação e conscientização sobre guarda e adoção responsável, prevenção ao abandono, além do fornecimento de atendimento veterinário gratuito por meio do Serviço Veterinário Público (HVEP), que oferece atendimento médico especializado a cães e gatos em situação de vulnerabilidade”, destacou a pasta em nota.

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Foto: Katia Marsicano

A Sepan acredita que a solução para o fim do abandono de cães e gatos requer necessariamente ações estruturantes de controle populacional, com a castração dos animais; conscientização e responsabilização da população sobre guarda responsável. Além da conscientização sobre coerção em relação aos crimes de abandono animal. Para além dessas ações, o envolvimento da comunidade também é importante, principalmente na valorização do trabalho voluntário de protetores de animais no acolhimento, cuidado, lar temporário e adoção responsável.

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