O que parecia ser apenas mais um encontro indesejado com um escorpião dentro de casa terminou em uma corrida contra o tempo para salvar a vida de um cachorro no entorno do Distrito Federal. No último sábado, a empresária Naianny Peixoto encontrou o animal escondido sob o sofá de seu apartamento. Instintivamente, seu cão, Torresmo, avançou para atacar o invasor. Minutos depois, os primeiros sinais de que algo estava errado começaram a aparecer.
“Ele não chorou, não gritou e não demonstrou dor na hora. Por isso eu nem imaginei que tivesse sido picado”, relata Naianny. Após afastar o cachorro e eliminar o escorpião, ela voltou ao quarto onde o animal estava e percebeu que ele babava excessivamente, tremia e evitava apoiar uma das patas dianteiras.
O quadro evoluiu rapidamente. Além da salivação intensa, Torresmo apresentava olhos avermelhados, respiração acelerada e tremores constantes. Desesperada e sem saber como agir, Naianny entrou em contato com a veterinária responsável pelo acompanhamento do cão e conseguiu atendimento cerca de 30 minutos após o acidente.

Torresmo tem uma história especial. O cachorro foi encontrado há três anos em um condomínio e acabou “adotando” os atuais tutores. “Ele seguiu a gente pelo condomínio e nunca mais foi embora. Costumo dizer que ele nos escolheu”, conta a empresária. Hoje, com idade estimada em mais de 10 anos, o cão já apresenta sinais da velhice, o que aumentou a preocupação da família diante do envenenamento.
Sinais exigem atendimento imediato
Segundo o médico-veterinário,Mateus Rodrigues, os sintomas de uma picada de escorpião podem surgir em poucos minutos. Os sinais mais comuns incluem dor intensa, mancar, salivação excessiva, tremores musculares, vômitos e agitação. Em casos mais graves, podem ocorrer alterações cardíacas, dificuldade respiratória e até convulsões.
“O atendimento deve ser procurado imediatamente. A demora aumenta o risco de complicações neurológicas, cardiovasculares e respiratórias, especialmente em filhotes, idosos e animais de pequeno porte”, explica.
O especialista alerta ainda que os tutores não devem recorrer a receitas caseiras ou medicamentos por conta própria. “Não é recomendado fazer torniquetes, cortes, perfurações ou administrar qualquer substância sem orientação veterinária. Essas medidas podem agravar o quadro”, destaca.
Escorpiões cada vez mais próximos das residências
A presença desses animais em áreas urbanas tem se tornado cada vez mais comum. De acordo com a bióloga Ivone Trindade, fatores como o crescimento urbano, o acúmulo de entulho, a redução de predadores naturais e a abundância de alimento, especialmente baratas, favorecem a proliferação dos escorpiões.
A especialista explica que o escorpião-amarelo é a espécie que mais preocupa na região por ser uma das mais venenosas do país. “Eles encontram abrigo em redes de esgoto, jardins, terrenos baldios e materiais de construção. Não aparecem apenas em locais sujos, como muita gente acredita”, afirma.
Prevenção é o melhor caminho
Entre as principais medidas preventivas estão manter quintais limpos, evitar o acúmulo de entulhos, vedar frestas em paredes e portas, instalar telas em ralos e controlar a presença de baratas.
Após o susto, Naianny decidiu compartilhar a experiência nas redes sociais para alertar outros tutores. “No meu caso foi tudo muito silencioso. Se eu não tivesse percebido a tremedeira e a salivação, poderia ter demorado mais para buscar ajuda. Cada minuto conta quando se trata de salvar a vida de um animal”, afirma.
A orientação dos especialistas é clara: ao encontrar um escorpião próximo de animais domésticos, o ideal é manter distância, isolar o local e procurar ajuda especializada. Em caso de suspeita de picada, a busca imediata por atendimento veterinário pode fazer toda a diferença.