Símbolo de festa, liberdade e expressão durante o Carnaval, o glitter virou quase um uniforme entre foliões, musas e celebridades. O que pouca gente percebe é que o brilho não vai embora junto com o fim da folia e nem necessariamente após o banho. Resíduos microscópicos do produto podem permanecer na pele e provocar irritações, coceira e inflamações que surgem dias depois, de forma silenciosa.
De acordo com a dermatologista Denise Ozores, especialista em beleza natural, o glitter não se comporta como um cosmético convencional. Produzido a partir de partículas metálicas ou sintéticas, ele pode se alojar em poros, dobras da pele e pequenas fissuras da barreira cutânea. “O glitter não desaparece depois do banho, ele continua agindo na pele”, alerta a médica, ao explicar que essas partículas podem migrar para áreas mais sensíveis e desencadear reações inflamatórias tardias.
Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é acreditar que água e sabonete são suficientes para eliminar completamente o produto. Mesmo após a higienização, fragmentos invisíveis a olho nu podem permanecer aderidos à pele e, em contato com suor, atrito e calor, favorecer processos inflamatórios. O risco aumenta quando o glitter é utilizado por vários dias consecutivos, prática comum durante o Carnaval.
A sobreposição contínua do produto pode levar a quadros de dermatite, especialmente em regiões como rosto, pescoço, colo, axilas e áreas de maior movimento. “A pele entra em um processo inflamatório contínuo sem que a pessoa perceba”, explica Denise. Outro fator de atenção é a procedência do glitter. Produtos que não são indicados para uso cosmético podem conter partículas mais irregulares e agressivas, aumentando o risco de microlesões.
Para quem não abre mão do brilho, a orientação é limitar a área de aplicação, evitar regiões sensíveis e remover o produto com suavidade, sem esfregar excessivamente a pele. O cuidado deve continuar após o Carnaval. “Muita gente tenta compensar usando produtos fortes logo depois da folia, quando a pele já está sensibilizada. O ideal é permitir que a pele se reorganize antes de qualquer intervenção”, conclui a dermatologista.