O avanço das femtechs, empresas que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas às necessidades das mulheres, marca uma mudança estrutural no setor de beleza e bem-estar. Mais do que uma tendência, esse movimento aponta para uma reconfiguração do mercado a partir de princípios como escuta ativa, agilidade e, sobretudo, protagonismo feminino nos espaços de decisão.
A lógica das femtechs se baseia na compreensão profunda da experiência feminina contemporânea. “Ser uma FemTech significa que nos pautamos no que a nossa consumidora vive, sente e busca para construir soluções no mundo contemporâneo, com mais agilidade para acompanhar tendências e responder ao comportamento de consumo”, afirma Erika Moulin, head de marketing da Avon, ao comentar o funcionamento desse modelo adotado pela marca.

Essa agilidade é um dos principais diferenciais. Em um mercado tradicionalmente marcado por ciclos longos de desenvolvimento, a incorporação de tecnologia, incluindo inteligência artificial, permite encurtar prazos e responder com mais precisão às mudanças de comportamento. “Com essa adaptação, por exemplo, reduzimos o tempo de lançamento de alguns produtos de 18 meses para uma janela de 4 a 6 meses”, destaca.
Mas o impacto das femtechs vai além da inovação tecnológica. Ele está diretamente ligado à presença feminina em posições estratégicas, fator considerado essencial para que pautas de inclusão e equidade sejam efetivamente incorporadas às empresas. “Assim, garantimos presença feminina em posições de liderança do orçamento, ao desenho da estratégia e ao desenvolvimento de produtos”, afirma Moulin. “Quando quem define políticas de inclusão e equidade também vive essas pautas na prática, elas ganham mais consistência, sensibilidade e aderência à realidade.”
Esse modelo também reforça a conexão com consumidoras historicamente negligenciadas ou sub-representadas, especialmente mulheres das classes C, D e E, que hoje se mostram cada vez mais conectadas, exigentes e atentas às tendências, sem abrir mão do preço acessível. A proposta das femtechs, especialmente da Avon, é justamente democratizar o acesso à inovação, equilibrando tecnologia e viabilidade econômica.
Ao mesmo tempo, na marca o movimento dialoga com um legado mais amplo de autonomia feminina. “O pioneirismo […] antecede, inclusive, a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde sua fundação em 1886, essa essência nunca mudou”, diz Moulin, ao relacionar o modelo atual a uma trajetória histórica de incentivo à independência financeira das mulheres.
Nesse contexto, o girl power ganha uma dimensão prática. Ele se manifesta não apenas na comunicação das marcas, mas na forma como produtos são pensados, decisões são tomadas e tecnologias são aplicadas. A combinação entre liderança feminina, inovação e foco na experiência real das consumidoras aponta para um novo padrão no mercado de beleza que é mais inclusivo, responsivo e alinhado às transformações sociais em curso.