O Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre (Hfaus), mantido pelo Instituto Brasília Ambiental, registrou um aumento de 16% nos atendimentos a animais silvestres nos primeiros 11 meses de 2025, totalizando 2.274 casos. O número supera o registrado no mesmo período de 2024, ano de inauguração do hospital, e reflete o crescimento da demanda pelo serviço.
De acordo com Rodrigo Santos, gerente de Fauna Silvestre do instituto, o Hfaus se consolidou como um instrumento essencial para a gestão de fauna no Distrito Federal. “Os números mostram que crescemos, mas, acima disso, mostram que o Hfaus se tornou essencial”, avaliou. O hospital é reconhecido por instituições parceiras e integrado ao fluxo oficial de resgates na região, o que tem impulsionado a procura pelo atendimento.
Diante do sucesso, há planos para expandir a capacidade do hospital. Santos adiantou que está em avaliação a mudança para um novo espaço, preferencialmente em uma unidade de conservação administrada pelo Brasília Ambiental. Essa relocação visa melhorar a estrutura e ampliar as ações de reabilitação.
A governadora em exercício, Celina Leão, destacou a importância do Hfaus para a conservação da biodiversidade do Cerrado. “É o primeiro hospital público do Brasil especializado nesse tipo de atendimento, o que demonstra o compromisso do Governo do Distrito Federal com os cuidados com o meio ambiente”, afirmou. O presidente do instituto, Rôney Nemer, enfatizou a necessidade do serviço, mapeada antes de sua criação, e o objetivo de manter a qualidade 24 horas por dia, sete dias por semana, ampliando solturas e reabilitações.
Entre os atendimentos, 64% foram de aves, 33% de mamíferos e 3% de répteis. O tempo médio de permanência variou: 22 dias para aves, 21 para mamíferos e 27 para répteis. As regiões administrativas com mais resgates incluem Plano Piloto, Taguatinga, Candangolândia, Sobradinho e Lago Norte.
As espécies mais atendidas foram o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), com 503 casos, seguido pelo periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), com 225. Outras incluem sagui-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata), com 107, e coruja-buraqueira (Athene cunicularia), com 87. Foram registrados 22 carnívoros, incluindo sete lobos-guará e quatis.
Outubro liderou os atendimentos, com 521 registros, seguido de setembro, com 363. As principais causas foram cuidados neonatais, para 594 indivíduos, e lesões ou fraturas, com 499 casos.
Com apenas dois anos de operação, o Hfaus já é referência nacional, adotando técnicas avançadas como uso de pele de tilápia em ferimentos e transfusões de sangue. O foco principal é tratar e reabilitar os animais para reintegração à natureza, preservando a perpetuação genética das espécies e a saúde dos ecossistemas locais.