Para fortalecer a produção de uvas viníferas no Cerrado central, o setor de vinhos do Centro-Oeste se reuniu no Enocerrado — o primeiro Encontro Regional de Viticultura. Cerca de 150 produtores, especialistas e empresas do setor de vinhos estiveram presentes no evento que aconteceu no restaurante NAU Frutos do Mar.
Idealizado por Ricardo Pereira, consultor agrícola da Provitis Consultoria, responsável por implantar mais de 90% dos vinhedos do Cerrado Goiano e do entorno do DF, o objetivo do encontro é promover integração, troca de conhecimento técnico e geração de negócios. Na ocasião, os participantes puderam trocar experiências reais do campo e da vinificação e também conversaram sobre o que representa o vinho do Cerrado.

Ao JBr, Ricardo Pereira afirmou que o evento reuniu, em um só lugar, todos os rótulos de vinhos produzidos nos últimos cinco anos. “Há cinco anos começamos; hoje já temos produtos para apresentar. Eu reuni todos os produtores para começar a fazer uma divulgação dos vinhos produzidos aqui no Cerrado”, afirmou.
Nesses cinco anos, Ricardo conta que é uma surpresa positiva ter esse resultado, com mais de 160 rótulos, o que comprova todo o trabalho que está sendo realizado. “A popularidade dos vinhos jovens que produzimos aqui é muito boa, com destaque para alguns que já possuem premiações nacionais e internacionais”. Ele explicou que o diferencial da produção da bebida no DF e Entorno é que a colheita tem sido feita no inverno, e a região conta com solo mineralizado e de altitude — características singulares para esse tipo de cultivo. “O resultado está nas garrafas”, completou.

Um dos nomes presentes no evento foi Ana Caroline Dias de Sousa, engenheira agrônoma e técnica de campo pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Goiás. Na confraternização e troca de networking que o encontro representou, Ana atuou como representante da instituição, que atende diversos vinhedos na região.
Um dos casos de sucesso destacados por ela é o do Vinhedo Coqueiral que, após receber assistência do Senar, viu sua produção aumentar e melhorar mais de três vezes. “Quando chegamos lá, a produção era baixa e apresentava alta incidência de doenças. Então, entramos com o manejo sanitário adequado, a gestão do vinhedo, de colaboradores e a parte financeira. Tudo isso contribuiu para uma redução drástica de doenças e o aumento da produção”, explicou a agrônoma. Segundo ela, a última colheita atingiu 7 toneladas.
Para Ana Caroline, esses dados reforçam a importância da união entre os produtores e do compartilhamento de conhecimentos. “O Senar desenvolve um papel fundamental não só para o vinho, mas para outras cadeias de produção, porque oferece cursos gratuitos e assistência técnica contínua. Para o produtor, principalmente quem está começando, isso é essencial”, pontuou.
Atualmente, o setor conta com 71 produtores divididos de norte a sul, incluindo Chapada dos Veadeiros (GO), Serra das Galés, Brasília e Pirenópolis. “Todos os lugares estão produzindo, e produzindo bem”, celebrou Ricardo. Houve a necessidade de promover essa movimentação para que os produtores estivessem reunidos em um só lugar, juntamente com os patrocinadores. Esta é a segunda edição, mas a previsão é de que o evento siga para as próximas temporadas.

Fruto desse esforço do setor do Cerrado para valorizar os vinhos da região central, Ronaldo Triacca — produtor rural, proprietário da Villa Triacca Eco Resort e Vinícola, e diretor da Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (“Amprovin”) — celebrou o encontro. Para ele, a ideia do evento foi maravilhosa e ele parabenizou Ricardo, a quem considera um grande incentivador de toda a atividade no Centro-Oeste. “É um evento que a gente aproveita para trocar reclamações, conhecimentos e, ao mesmo tempo, conhecer novos vinhos e vinícolas”, afirmou.
Com uma produção e trabalho constante, Ronaldo se encantou com os muitos produtores novos que estavam no encontro, por apresentarem uma grande diversidade de rótulos no evento. “Estou muito contente de ter presenciado o encontro”, completou. Ele demonstra orgulho ao ver vinhos da região consagrados na Avaliação Nacional de Vinhos, o maior evento de vinhos do país, e comemorou as conquistas recentes: “Dois vinhos da Villa Triacca ganharam medalhas de ouro, mas outros produtores também ganharam várias. Na França, agora, nós ganhamos um ouro com o nosso Tempranillo; e a Vinícola Brasília, da qual faço parte, também ganhou ouro com o Monumental, também na França”. Para ele, Brasília realmente entrou no mapa mundial do vinho: “Não tenho nenhuma dúvida”.
Atualmente, segundo Ronaldo a Villa Triacca conta com cerca de dez rótulos, e o grupo do PAD-DF já soma mais de 80. Ele ressaltou que o público brasiliense pode degustar esses vinhos em restaurantes renomados da capital e em adegas. “Mas o destaque é, principalmente, o enoturismo. Hoje temos quatro vinícolas que recebem turistas: além da Villa Triacca, a Vinícola Brasília, a Ercoara e a Casa Vírgula. Então, as portas estão abertas para o amante do vinho e para quem quer conhecer um pouco desse mundo fantástico”, convidou.