Sem bons resultados nos últimos meses e também sem técnico (rompeu com Jaime Oncins um mês atrás), Saretta entrou desacreditado, em queda no ranking e com a pressão de abrir o duelo contra Andreas Vinciguerra. No sábado, conseguiu sair de situação complicada, um match point contra no décimo game do quinto set, e deu o primeiro ponto para o país de forma dramática.
Na volta à quadra, nesta segunda, parou no embalado Robin Soderling, mas nem por isso pensa em desanimar para o restante do ano. A esperança após sentir o calor da torcida e o prazer de jogar novamente é de estar em forma para recuperar as posições perdidas no ranking. “Com certeza esse confronto vai me ajudar a seguir com a carreira, a manter o foco no que eu preciso”, disse o tenista.
“A cada Davis que você disputa, e essa é a minha primeira em casa, você sofre bastante, mas se entrega, joga com amor e aprende muito. Esse jogo contra o Vinciguerra vai ficar para sempre comigo e espero que ele possa me ajudar. Agora é hora de levantar a cabeça e lutar para entrar de novo no top 100 até o final do ano, ou recuperar no ano que vem”, completou.
Saretta teve boa participação enquanto esteve em quadra e só não conseguiu superar Soderling, que se mostrou em ótima forma nas duas partidas que realizou. O brasileiro comentou sobre o jogo desta segunda-feira e nem tentou dar desculpas. Pelo contrário, admitiu ter feito bom jogo, ter crescido no final e parado apenas na boa atuação do sueco.
“Comecei muito mal e tudo que ele fazia dava certo. Ele não me deixou respirar, estava muito inspirado. No segundo set tive as primeiras chances e perdi alguns break points. No final já estava mais solto, nem mudei tanto a tática, só estava solto mesmo, pegando mais o ‘timing’ do saque dele”, apontou. “Acho que ele sentiu um pouco também e até teria chances se tivesse ganhado o terceiro set, porque é impossível num jogo de cinco sets manter o nível daquele começo”.
Nem mesmo a quadra irregular, que chegou a receber reclamações pesadas de ambos jogadores durante a partida, foi mencionada pelo tenista como desculpa para a derrota. “Acho que a quadra estava ruim para os dois. Ele acertou todos os lados com falhas e eu não achei esses lugares. O cansaço também não atrapalhou. O que mudou foi ele estar inspirado e acertando todas as linhas.”
Quem concordou e também elogiou a atuação do rival foi o capitão Fernando Meligeni. “Sabia que uma das maneiras de tirar o Soderling do jogo era mexendo com o emocional, usando as artimanhas da Davis. E o Flávio fez tudo que podia dentro das regras, atrasou saque, chamou torcida. Mas ele acertou tudo no começo e ainda assim não foi um massacre, porque o Saretta estava sempre lá. Nem o (Roger) Federer teria feito tanto”, disse.