Analisando friamente, as chances de o Brasil passar pela Áustria em pleno território inimigo e garantir presença no Grupo Mundial da Copa Davis de 2008 são remotas. Além do piso incomum para os brasileiros (carpete coberto), os adversários estão muito melhor colocados no ranking mundial e vêm de resultados mais expressivos na temporada.
Enquanto os titulares de simples Flávio Saretta e Ricardo Melo ocupam, respectivamente, a 130ª e a 185ª posição na lista da ATP, a Áustria será representada por Jurgen Melzer, número 32 do mundo, e Stefan Koubek, número 54. Nas duplas, Marcelo Melo (27º do ranking) e André Sá (29º) terão pela frente Julian Knowle (10º) e Jurgen Melzer (39º).
O desempenho de cada um este ano também reforça a superioridade austríaca. Melzer foi vice-campeão
Os brasileiros, porém, passaram a maior parte da temporada atuando em torneios challenger. Em competições de elite, o melhor desempenho individual é a semifinal de Saretta na Costa do Sauípe. Nas duplas, Sá e Melo chegaram ao título em Estoril, à semifinal em Wimbledon e às quartas-de-final do Aberto dos Estados Unidos.
No entanto, as adversidades não assustam Saretta. “Jogar fora de casa é sempre difícil porque eles escolhem o piso, a bola e têm o apoio da torcida. Eles estão em um momento melhor que a gente, mas eu já ganhei do Melzer uma vez e com certeza eles nos respeitam dentro da quadra”, afirmou.
Saretta já enfrentou Melzer duas vezes: venceu na grama em 2002 e perdeu no carpete em 2004. “A grama é muito parecida com o carpete e não acho que seja um bicho-de-sete-cabeças enfrentá-los. Dá para encarar os caras e vamos para cima com todas as forças. Estamos indo para ganhar”, garantiu.
A última competição do número um do Brasil foi no começo de agosto, quando parou na semifinal do Challenger de Campos do Jordão, disputado em quadra rápida. O tenista decidiu não disputar o qualifying do Aberto dos Estados Unidos no fim do mês para se preparar para o duelo contra a Áustria.
“Davis é tudo diferente do que estamos acostumados. É uma pressão absurda, mas temos gosto de trabalhar em equipe e defender nosso país. O brasileiro gosta de torcer por qualquer coisa em que o país esteja envolvido, não quer nem saber o nome de quem está jogando. Torce pela bandeira. Sempre aproveitei ao máximo as oportunidades que tive de jogar na Davis”, disse.
Nos momentos antes, durante e depois dos treinos da equipe brasileira, o que não falta são brincadeiras. E essa descontração dos tenistas é apontada como um diferencial do Brasil. “Com a amizade, tudo fica mais fácil. Nós somos amigos também fora de quadra e esse clima é muito bom”, declarou.
Reserva da equipe, Gustavo Kuerten reconhece o favoritismo austríaco. Mas também aposta na superação. “Acho que as nossas chances de vitória são menores do que a da Áustria, que vai jogar em casa, no piso que eles escolheram e com jogadores entre os top 100. Vamos trabalhar bastante esses dias e jogar na base da superação”, afirmou.