Em duelo equilibrado, Saretta foi bastante apoiado pela torcida que compareceu à quadra montada na Expominas, em Belo Horizonte, e saiu de situações complicadas no quinto set, quando perdia por 4/1 e mais tarde, quando enfrentou match-point no 4/5, para vencer por 3 sets a 2.
Exausto após a partida, mas ainda de bom-humor, o ex-número 44 do mundo falou com a imprensa em Belo Horizonte e admitiu até mesmo ter pensado na derrota. Só não desistiu por causa do apoio da “estranha” torcida mineira. “Sabia que seria assim na minha primeira vez no Brasil. Todo mundo falando, dando opinião. E até confesso que cheguei a duvidar no 4/1 do quinto set, mas depois tudo deu certo”, contou.
“Nessa hora vi que tinha muita gente querendo que eu ganhasse e você fica até arrepiado. Quando acabou, eu deitei, ouvi todo mundo gritando ‘Brasil, Brasil’ e aí percebi que tinha ganhado. Isso não tem preço. É igual Mastercard”, disse, provocando risos generalizados de todos presentes à coletiva. Outro motivo que o fez subir de produção, segundo ele, foram os toques do capitão e amigo Fernando Meligeni.
Saretta chegou a treinar isoladamente com o capitão logo após o Aberto dos EUA, quando enfrentava situação complicada pela falta de bons resultados e pelo recente fim da parceria com o treinador Jaime Oncins. Na quadra, “Fininho” pôde participar mais e, com toda sua experiência, fez com que o “pupilo” percebesse o que deveria fazer para chegar à vitória.
“Davis é especial por isso. Quando você está no circuito o treinador tenta te dar um toque e já recebe bronca do árbitro. Aqui ele pode ajudar estando dentro da quadra, faz com que você foque no que precisa fazer, te dá uma arejada na cabeça. E ele fez isso, pediu, quer dizer mandou, que eu mudasse um pouco e isso foi essencial, me fez acreditar”, contou.
Sobre a tal mudança, Saretta não apontou um ponto específico, mas se ateve ao emocional. “Eu comecei jogando de um jeito e terminei de outro. Dei uma leve viajada, mas acho que ganhei pela agressividade. Olhava para o pessoal da torcida e todo mundo pedia para que eu enchesse a mão. Acho que se tivesse mantido o ritmo do começo não teria ganhado”, contou.
Já Meligeni não quis se vangloriar e deixou os méritos todos com o tenista. “Me coloquei na situação do Vinciguerra (os dois são canhotos) e percebi o que ele estava fazendo. Então falei para ele mudar, porque estava correndo demais atrás da bola. Mas o mérito foi dele. Ele se colocou bem dentro da quadra e lutou muito. Foi um p… jogo”, disse um animado Meligeni.
Amarelão, não!
Mais do que enfrentar a pressão da adversidade, Saretta teve que passar por situação complicada, vinda de dentro da quadra. No match point, quando sacava para impedir a derrota, ouviu de um torcedor nas arquibancadas: “não vai amarelar”. Sobre o assunto, o tenista voltou a abusar das piadas, o que novamente gerou risos da imprensa.
“Pô, foi sacanagem aquilo. Se eu tivesse perdendo de 6/1, 6/1 e 5/2, o cara podia até falar. Mas eu estava lá lutando e busquei. Tem muita gente torcendo da sua maneira e é normal. Escutei até que eu tinha que sacar e volear, coisa que eu nunca fiz e nem sei fazer! Mas eu queria fazer o ponto e olhar pra ele e gritar, mas na hora você tem que segurar”, explicou. “Xingaram até o Fino, não sei por que.”.