Prazeres do vinho

As startups “Winetechs” estão revolucionando o mercado de vinhos

De olho no público jovem e conectado, as winetechs vão ganhando cada vez mais relevância no mercado

Por Daiany Nasteoli 19/02/2021 1h53
Winetechs de vinho

A nova geração está fortalecendo a importância de desmistificar e tornar os vinhos e espumantes mais acessíveis, descomplicados e atrativos para o público jovem. Estes novos consumidores cresceram em meio ao acesso à tecnologia e, por estarem sempre conectados, compartilham informações e opiniões sobre os produtos.

Nada escapa do turbilhão da digitalização, nem mesmo um setor tão tradicional quanto o da indústria vinícola. O número de startups dedicadas a melhorar a forma de como a bebida secular é produzida, comercializada e apreciada continua crescendo. As winetechs estão revolucionando o setor, conhecido por ser extremamente tradicional, trazendo novas tecnologias e buscando democratizar o acesso à bebida.

Para atrair este público e contribuir com o aumento do consumo de vinhos no País é preciso simplificar e utilizar a inovação e a tecnologia. Aplicativos, redes sociais e influenciadores digitais são formas de se conectar com este público promissor que está aberto a novas experiências e a menos formalidades.

A Matcha, fundada por dois sommeliers franceses, desenvolveu algoritmos de inteligência artificial que oferecem recomendações de vinhos com base nas preferências do usuário e na comida com que serão servidos.

A Winc usa uma tecnologia semelhante para seu serviço de assinatura. Cada usuário cria um perfil com base em suas preferências de sabores (sal, frutas cítricas, café e etc.). A empresa, então, envia a seus assinantes uma seleção de quatro garrafas por mês, de acordo com esses dados.

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Um dos maiores desafios para os amantes do vinho é consumi-lo em ambientes mais despojados, como bares e festas. A bebida é considerada “pouco social” não só por passar uma imagem mais “refinada”, mas também por sua embalagem: as garrafas de vidro são grandes demais para serem consumidas individualmente e difíceis de carregar em determinados ambientes.

Foi pensando nisso que os empreendedores Alex Hamburger e Leonardo Atherino criaram a Vivant, uma startup que vende vinhos em latas. A empresa foi fundada em 2018 com o propósito de oferecer praticidade a consumidores em ambientes como festas, praias e eventos ao ar livre. Os vinhos são produzidos em Caxias do Sul, em uma parceria com a vinícola Quinta Don Bonifácio.

A Vivant, vende vinhos em latas e foca em atrair o público jovem. Foto: Reprodução/Instagram

Outra startup brasileira criada para democratizar o acesso à bebida é a Fabenne. A empresa surgiu depois que três amigos viram uma garrafa de um vinho caro virar vinagre depois de dois dias aberta. Após algumas pesquisas, eles conheceram a tecnologia Bag-in-Box, que já apresentava números animadores no mercado externo. Na Austrália, por exemplo, os vinhos Bag-in-Box representam mais de 60% do mercado.

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As principais vantagens desse formato são a manutenção da qualidade do vinho por até 30 dias depois de aberto, além de uma relação custo x benefício difícil de desprezar: chega a ser 50% mais econômico do que vinhos finos em garrafa da mesma qualidade, segundo o CEO e cofundador da startup, Adriano Santucci.

A Fabenne aposta na tecnologia Bag-in-Box

“A economia em valor, espaço e tempo de serviço são características que começam a fazer diferença no bolso rapidamente. Imagine abrir uma garrafa no domingo à noite para servir uma taça a um cliente, sabendo que seu restaurante só vai abrir na terça-feira? Já na casa do consumidor, que para a startup representa hoje 35% do faturamento da empresa, os benefícios são ainda mais significativos: um vinho que permite o consumo de até 30 taças ao longo do mês todo por preços que partem de R$ 4 por taça”, diz Adriano.

Uma das barreiras para as startups de vinhos no Brasil é o baixo consumo no país: o brasileiro consome cerca de dois litros da bebida por ano, uma taxa muito abaixo de países como Portugal (62,1l) e França (50,2l), por exemplo. O CEO da Fabenne acredita que, para que esse número aumente, é necessária uma quebra de paradigmas. “O padrão oferecido historicamente pelo mercado de vinhos é composto por rolhas, garrafas e ocasiões especiais. Miramos justamente na desgourmetização do vinho como forma de trazer novos consumidores e aumentar o consumo da bebida no Brasil”.
Curiosidades – As pessoas que nasceram nas décadas de 1980 e 2000 são chamadas de Millenials e estão modificando os hábitos tradicionais e culturais do consumo de vinhos.

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