A notícia de que Thomas Johansson poderá desfalcar o confronto da repescagem entre Brasil e Suécia, em setembro, não deixou o capitão da equipe nacional, Fernando Meligeni, muito animado. Para ele, a provável ausência do ex-número sete do mundo não faz com que a Suécia se torne um time fácil. Pelo contrário.
Mesmo jogando em casa e no saibro, Fininho sabe que o Brasil terá problemas no duelo que poderá colocar novamente o país na elite do tênis mundial após quase quatro anos de ausência. Curiosamente, foi contra a Suécia, em fevereiro de 2003, que a equipe iniciou sua derrocada, culminando com a queda para a terceira divisão no ano seguinte.
Se Johansson confirmar o anúncio feito ontem, quando admitiu ficar ao lado da esposa no nascimento de seu primeiro filho, justamente em setembro, a Suécia deve vir ao Brasil com dois top 40 (Jonas Bjorkman e Robin Soderling), além de fortes duplistas e do possível retorno do ex-top dez Joachim Johansson.
“Que ele tem esse problema isso todo mundo já está ciente. É mesmo verdade. Mas enquanto não confirmarem sua ausência e a equipe for escalada eu não descarto nada. Vou continuar analisando todas as possibilidades”, afirmou Meligeni.
“A equipe sueca é forte. Sempre tem tenista pipocando em bom ranking, com boas vitórias. O Soderling ganhou do (David) Ferrer no saibro. Pode voltar o Joachim, tem o próprio Bjorkman, que foi à semifinal de Wimbledon”, apontou. “O saibro pode não ser o piso favorito deles, mas eles também não são cegos. Vai ser pedreira”.
Pelo lado brasileiro, a má forma dos principais tenistas do país deixa o capitão um pouco preocupado. No entanto, sabe que o fator quadra pesará em favor de sua equipe. Para tirar proveito da regra da Copa Davis, Meligeni pretende seguir com conversas com seus principais tenistas para chegar a um consenso quanto ao saibro utilizado nos jogos.
“As quadras em Minas não estão tão lentas assim. Mas estamos conversando ainda com os jogadores para tentar achar a velocidade ideal do piso e das bolas. Cada um tem sua preferência, mas vamos achar um meio termo”, confirmou. “Mas um piso pouco mais lento, pouco mais rápido não muda muito. Em uma semana de treinos jogadores de bom nível se adaptam”.
Ao citar “conversar com a equipe”, Meligeni falou ainda de um grupo entre quatro e seis atletas que podem estar no confronto entre 22 e 24 de setembro, no Minas Tênis Alphaville, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte.
Os nomes mais prováveis são os mesmos que estiveram na última disputa, em abril, contra o Equador: Marcos Daniel, Flávio Saretta, Ricardo Mello, André Sá e até mesmo Gustavo Kuerten, se o ex-número um do mundo estiver recuperado até a data das partidas. Isso porque Meligeni também acredita na experiência como fator decisivo na competição.
No entanto, ele garante haver espaço para surpresas. “O tênis é maluco. Quando temos tenistas em ranking parecido, fica sempre mais difícil escolher. A gente precisa de experiência, mas aqui vale momento também. Então, se alguém fizer barulho, explodir, pode estar lá. Isso vale para os que estão aparecendo e também para os que estavam lá nas últimas convocações”.
O aviso foi direcionado a Thiago Alves. O paulista conseguiu sua primeira vitória num torneio de primeiro escalão nesta semana, em Newport, e deve melhorar a 133ª colocação no ranking. Aos 24 anos, é o terceiro melhor do país e está à frente de Mello, por exemplo. No entanto, pela lógica do capitão, precisa confirmar a escalada com outros bons resultados para sonhar com a vaga.