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Dicas das vizinhas

Você é uma mulher 1001 utilidades?

Relato de uma psicóloga que ouve mulheres exaustas.

Você é uma mulher 1001 utilidades?

Opa, vizinhas! Tudo bem com vocês?

Meu nome é Karlla Lima, sou psicóloga clínica e meu público é 99% feminino (e eu amo!). Sou rodeada de mulheres, tanto na área profissional, familiar e no Instagram (@psikarlla) , onde compartilho dicas, relatos e experiências sobre autoconhecimento, amor próprio, autoestima e relacionamento. 

Antes de começarmos nosso bate-papo (eu escrevo daqui e você reflete daí, combinado?), quero agradecer o convite do @encontrodevizinhas . Me sinto lisonjeada por ter a oportunidade de partilhar com mais e mais mulheres. Afinal de contas, juntas somos mais fortes, né?!

Bom, o que pretendo dizer aqui, acredito que não será novidade pra muitas, mas trago o assunto com o objetivo de identificação, apoio e acolhimento. Você pode até não saber o que é CARGA MENTAL, mas te garanto que já sentiu. O que muitos homens não sabem, é que pra que a mulher faça um “simples” almoço, há a necessidade de um planejamento. O seu envolvimento nessa atividade não inicia apenas no momento da ação, mas muito tempo antes, quando você se preocupa com que proteína vai fazer, qual quantidade, se precisará fazer compras, o horário que vai descongelar, a louça que vai utilizar e etc. E isso demanda esforço, nem sempre físico, mas mental. 

A carga mental pode estar presente na vida de homens e mulheres…Mas vamos combinar que o público que é responsável pela maioria das atividades de uma casa é o feminino! Aposto que pelo menos a metade das mulheres que irão ter acesso a esse texto já sentiram: excesso de preocupação, angústia, cansaço físico constante e sobrecarga de pensamentos. E se você respondeu que sim a esses sintomas, você sabe bem do que estou falando.

É inegável que a rotina feminina pesa muito mais que a masculina. Por mais que alguns casais tentem dividir as tarefas domésticas, sabe-se que as responsáveis pela organização e funcionamento do lar são as mulheres. E juntando ao trabalho fora de casa, filhos, pets, atividade física…é difícil restar um tempo para que essa mulher se conecte consigo mesma, tenha momentos de lazer, atividades que gosta de fazer sozinha, salão, conversa com as amigas e etc. O que muitas vezes tem o mesmo resultado: a mulher se esquece de quem é, do que gosta de fazer, se despersonaliza e vive apenas pelo o outro. Se preocupa com os filhos, familiares, parceiro(a) e se distancia cada vez mais de si mesma. 

Esse distanciamento pode causar frustração, sintomas e até mesmo transtornos emocionais como Ansiedade e Depressão. Há mais de um ano e meio, temos convivido com uma pandemia, a qual contribuiu para que essa mulher, que já estava exausta, sentisse que a carga mental triplicasse o peso. Escutei diversas mulheres na clínica, chorando e implorando pela volta às aulas, pela volta ao trabalho presencial, não por que são mães malvadas ou donas de casa ruins, mas sim por que se empenham excessivamente para que todo o resto funcione. 

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O que muitos enxergam como um superpoder da mulher, pode se transformar em algo muito mais grave. Ok, entendo que nem sempre temos opções. Mas, na maioria das vezes, precisamos abrir mão do controle que nos foi dado e pedir ajuda (por mais óbvio que pareça). Seu marido pode até não lavar a louça como você, mas você pode ganhar alguns minutos pra assistir uma série ou tomar um banho mais demorado. Seu filho pode até não arrumar o quarto como você gostaria, mas se livrando dessa tarefa, você pode ganhar tempo para talvez fazer as unhas ou ler um livro. 

Não se sinta obrigada a ser uma supermulher, miga! Você é humana e precisa também de ser cuidada. Pra finalizarmos nosso bate-papo, deixo aqui algumas dicas que podem te ajudar a minimizar essa carga mental e cuidar mais de você!

1- Peça ajuda! Seja nas tarefas de casa, no trabalho ou em sua própria saúde mental, solicite ajuda psicológica se sentir necessidade. 

2- Sei que você assume vários papéis ao mesmo tempo e tá tudo bem não conduzi-los com excelência o tempo todo. Permita-se falhar. Você está dando seu melhor. 

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3- Estabeleça rotinas, a organização pode fazer muita diferença no seu dia a dia. Por muitas vezes temos a impressão de que o dia foi “perdido” e não fizemos nada, com uma rotina organizada (na medida do possível) essa sensação vai diminuindo e você percebe com maior facilidade todas as tarefas que realizou durante o dia. 

4- Escolha suas batalhas, mulher! Tente analisar e evitar situações que lhe causam estresse, mas que não merecem sua atenção. Se o dia está cheio, familiares estressados, uma meia no meio da casa pode virar uma grande tempestade. Quando na verdade, ela poderia ser ignorada. 

5- Evite comparações. Não é por que sua comadre tem 3 empregos, 1 marido, 5 filhos e a casa limpa que você também precisa ter. Cada um tem uma realidade única, cada história precisa ter sua subjetividade respeitada. Sua jornada é só sua! E merece seu valor. A grama do vizinho nem sempre é tão verde quanto parece. 

Bom, foi uma honra estar aqui com vocês, espero ter ajudado e contem comigo para o que precisarem. Até breve, vizinhas!

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