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Bem Estar

Os diferentes impactos do Carnaval na saúde mental

Apesar do clima festivo, especialistas destacam que a experiência não é uniforme e pode provocar reações distintas.

Alexya Lemos

15/02/2026 16h46

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Foto: Reprodução

Associado à alegria, à liberdade e à celebração coletiva, o carnaval costuma ser visto como um período de pausa na rotina e de extravasamento emocional. Para milhões de brasileiros, a festa representa um momento de encontro e descontração , e os números refletem essa dimensão. Na cidade de São Paulo, por exemplo, levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens apontou que cerca de 4,5 milhões de pessoas participaram do Carnaval de 2025, distribuídas por mais de 700 blocos de rua.

Apesar do clima festivo, especialistas destacam que a experiência não é uniforme e pode provocar reações distintas. A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, explica que a data pode ter efeitos ambíguos sobre a saúde mental. Segundo ela, enquanto algumas pessoas vivenciam a festa com alegria e senso de pertencimento, outras podem enfrentar ansiedade, desconforto emocional e sensação de inadequação.

Para parte do público, o período funciona como espaço legítimo de expressão, permitindo liberar emoções reprimidas, experimentar identidades e fortalecer vínculos sociais. Esse contexto favorece a redução de inibições e o afastamento temporário das pressões cotidianas, fatores que contribuem para a sensação de bem-estar.

De acordo com a especialista, o próprio cérebro tende a interpretar o Carnaval como uma exceção à rotina. O aumento de estímulos prazerosos e de interação social estimula a liberação de neurotransmissores associados ao prazer, como a dopamina, gerando euforia e motivação. Contudo, o excesso pode resultar em desgaste físico e emocional quando limites pessoais não são respeitados.

Por outro lado, o cenário festivo também pode provocar sofrimento em quem não se identifica com a celebração. A expectativa social de felicidade constante pode gerar sentimentos de culpa, comparação e isolamento em pessoas que optam por não participar. Ambientes com grande volume de estímulos, como multidões, ruídos intensos e alterações no sono também tendem a contribuir para o desgaste psicológico, especialmente entre indivíduos mais sensíveis ou que já convivem com ansiedade.

Nesse contexto, a orientação é priorizar o autocuidado e reconhecer que não existe uma forma única de vivenciar o período. Participar da festa, descansar, viajar ou permanecer em casa são alternativas igualmente legítimas para preservar o equilíbrio emocional.

Iniciativas de inclusão

Experiências pelo país indicam que o carnaval também pode ser um espaço de cuidado e pertencimento. Na cidade do Rio de Janeiro, blocos como o Loucura Suburbana e o Zona Mental se tornaram referências ao promover a participação de usuários, familiares e profissionais da rede de saúde mental em ambientes planejados e acolhedores.

Mais do que eventos festivos, essas iniciativas atuam no combate ao estigma e na construção de cidadania, oferecendo espaços de convivência e valorização do cuidado emocional. Com estrutura organizada e proposta inclusiva, mostram que a celebração pode coexistir com acolhimento e respeito às vulnerabilidades, transformando a folia em oportunidade de fortalecimento comunitário e promoção do bem-estar coletivo.

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