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Viola Davis diz em Cannes que um diretor a chamou pelo nome de sua empregada

Atriz negra com o maior número de indicações ao Oscar afirmou também que sofre microagressões racistas ‘o tempo todo’

Por FolhaPress 20/05/2022 3h26
A atriz Viola Davis chega ao tepete vermelho do Festival de Cannes – Christophe Simon/AFP

A atriz americana Viola Davis afirmou que sofreu microagressões diversas vezes causadas por racismo ao longo de sua carreira em Hollywood em entrevista na conferência organizada pela revista Variety e pela loja de artigos de luxo Kering durante o Festival de Cannes.

Davis deu o exemplo de um diretor que a chamou pelo nome de sua empregada. “Eu tive um diretor que fez isso comigo, e eu descobri que era se tratava do nome da empregada dele. Eu estava talvez com cerca de 30 anos na época, então foi há um bom tempo. Mas o que você tem que perceber é que essas microagressões acontecem o tempo todo”, ela afirmou, sem revelar o nome do ex-colega de trabalho.

A artista também comentou a limitação dos papéis que as pessoas negras recebem em Hollywood e os estereótipos que ainda são reproduzidos nos filmes. “Se eu quisesse interpretar uma mãe que vive com a família num bairro pobre e teve o filho membro de uma gangue assassinado, eu poderia fazer isso”, afirmou a atriz, que já venceu o Oscar quatro vezes. “Se eu interpretasse uma mulher que está tentando se reencontrar fazendo uma viagem a Nice e dormindo com cinco homens aos 56 anos, olhando para mim, eu teria dificuldade de conquistar esse papel, mesmo sendo a Viola Davis.”

A atriz negra com o maior número de indicações ao Oscar da história também comentou como os diferentes tons da pele ainda influenciam a indústria cinematográfica. “Muitas dessas coisas são baseadas na raça. Sejamos honestos. Se eu tivesse as mesmas feições e fosse cinco tons mais clara, seria um pouco diferente. E se eu tivesse cabelos loiros, olhos azuis e mesmo um nariz largo, seria ainda mais diferente do que agora.”

Davis relembrou das vezes em que foi rejeitada como atriz no passado, e disse que muitas vezes ela não foi selecionada por ser negra ou porque Hollywood não a achava “bonita o suficiente”. “Isso me tira do sério”, ela afirmou em referência ao padrão de beleza imposto pela indústria do cinema. “Isso quebra meu coração e me deixa enraivecida.”

Realizado entre os dias 17 e 28 de maio, a edição do Festival de Cannes deste ano homenageia o ator americano Forest Whitaker com uma Palma de Ouro honorária, 34 anos depois de ter levado o prêmio de melhor ator por sua atuação como o jazzista Charlie Parker em “Bird”, de Clint Eastwood.

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