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Novo desenho animado de Chapolin revela o que todo fã suspeitava desde o princípio

Os dez episódios da primeira temporada também se propõem a mostrar como é a vida do vermelhinho ao voltar para casa, depois de combater o mafioso Tripa Seca

Redação Jornal de Brasília

03/02/2026 9h35

chapolin animacao

Foto: HBO/ Divulgação

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS)

“O Chapolin Colorado é o herói da América Latina”, justifica uma mocinha indefesa na série original estrelada por Roberto Gómez Bolaños na década de 1970, ao pedir que o vermelhinho a proteja. “Pois com razão estamos subdesenvolvidos”, retruca outro personagem.

Não “priemos cânico”. Muito da ironia que levou ao sucesso do homem com roupa de gafanhoto vermelha e amarela na série original continua presente em “Chapolin e os Colorados”, série de animação que estreou em janeiro na HBO Max.

Ainda estão lá as anteninhas de vinil detectando a presença do inimigo, as versões sem sentido de ditados populares e a admiração pelo sujeito atrapalhado que tenta fazer o bem —apesar do medo.

Só que na nova versão animada do herói, mais do que clamar por ajuda, as personagens femininas auxiliam na resolução de aventuras, os vilões podem não ser maus e as relações familiares, assim como a cultura latino-americana, são celebradas com orgulho.

“O que meu pai fazia era tentar tornar seu trabalho o mais universal possível, era parte da essência dele. O Chapolin Colorado é essencialmente uma paródia dos super-heróis americanos, com a qual você poderia se identificar em qualquer país da América Latina”, diz Roberto Gómez Fernández, presidente do Grupo Chespirito e filho de Bolaños.

“Para esta série, precisávamos descobrir como fazer as pessoas se identificarem com o personagem original, aquele que transcendeu o tempo e que todos amam, e ainda atrair novos públicos”, diz o produtor mexicano, que promete uma segunda temporada.

Desde o princípio, os fãs suspeitavam que o herói conseguia viajar no tempo e se teletransportar. Essa dúvida é resolvida no desenho com a ajuda do Professor Inventivo —uma mistura do cientista que aparece na série original e do doutor Brown, da trilogia “De Volta para o Futuro”.

Ao contrário do que estava apenas subentendido na série original, no desenho, o roteiro estabelece mais claramente como Chapolin consegue viajar ao passado para enfrentar o pirata Alma Negra em 1710 e depois jogar futebol no presente com o vilão e seus comparsas, Matadouro, Lagartixa e Pança Louca.

“Começamos a ouvir podcasts, teorias de fãs e queríamos criar uma mistura de todos esses elementos e confirmar essas teorias, porque ele realmente é um viajante do tempo, do espaço, das dimensões, entre histórias, entre a mente, entre tudo. Então, resolvemos expandir essa ideia”, diz Rodolfo Riva Palacio, cofundador do estúdio Huevocartoon, cineasta, roteirista e ator de voz.

O herói já tinha um desenho animado produzido no México há uma década, mas a estreia da nova produção acontece após o sucesso da série biográfica “Chespirito: Sem Querer Querendo”, sobre Bolaños, que gerou uma nova onda de interesse pelo criador e sua obra—e reavivou polêmicas de sua vida pessoal.

Com um ritmo acelerado e piadas constantes, a série tenta cativar tanto o público mais jovem, que não cresceu necessariamente com a obra de Chespirito, quanto mergulha em referências da cultura pop das últimas décadas, em um aceno aos espectadores mais velhos.

É possível acompanhar o casal Jack e Rose, de “Titanic”, em um parque aquático da Cidade Caótica —uma versão mais colorida da cidade gótica de Batman—, onde vive a família do herói.

“Temos acompanhado as críticas no Brasil, por exemplo, pois sabemos que é um grande mercado consumidor da obra de Chespirito. Fomos em busca de dubladores da série original, íamos até o tradutores e perguntávamos para eles: ‘Qual é o equivalente dessa piada em português?'”, diz Palacio.

Os dez episódios da primeira temporada também se propõem a mostrar como é a vida do vermelhinho ao voltar para casa, depois de combater o mafioso Tripa Seca.

Não fosse por sua marreta biônica, o polegar vermelho poderia ser um pai de família comum, tentando levar uma vida digna, apaixonado pela esposa, pedindo conselhos à mãe e até se sentindo culpado por não estar presente em momentos importantes da vida dos filhos.

Em uma espécie de família de “Os Incríveis” mergulhada em referências da cultura mexicana, cada um dos Colorados descobre ter um dom diferente —ainda que não sejam superpoderes tradicionais, mas que se potencializam quando eles trabalham em equipe.

Ao longo dos episódios, os demais componentes da família passam a desenvolver personalidades mais marcantes, indo além da vovó que se desdobra para evitar que o restante da família entre no esconderijo secreto do herói, ou da adolescente que se apaixona pela primeira vez.

Para o ator mexicano Jesús Guzmán, que dá voz ao Chapolin no original em espanhol, a obra de Chespirito reaviva memórias de infância. “Uma vez, eu estava no carro com meu pai. Eu estava muito quieto, e meu pai se irritou com o silêncio e disse: ‘Pelo menos me conte alguma piada do Chapolin Colorado. É engraçado, se ele pudesse ver onde eu estou agora.”

CHAPOLIN E OS COLORADOS

  • Classificação Livre
  • Produção México, 2026
  • Criação Huevocartoon Producciones
  • Onde ver Disponível na HBO Max

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