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Keanu Reeves busca redenção em comédia sobre a cultura do cancelamento

Longa é uma comédia ácida sobre o ambiente tóxico promovido pelas celebridades e, ao mesmo tempo, sobre os perigos da cultura do cancelamento

Redação Jornal de Brasília

10/04/2026 9h02

keanu reeves consequencia apple

Foto: Divulgação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Seja um assassino sedento por vingança ou um hacker que descobre que sua realidade é uma simulação tecnológica. Como protagonista da franquia “John Wick” ou de “Matrix”, Keanu Reeves se consolidou como um dos atores mais prestigiados de Hollywood. Agora, aos 61 anos, ele parece fazer troça do mundo da fama.

Ele deixa um pouco de lado socos, saltos mortais e perseguições para estrelar “Consequência”, filme de Jonah Hill, uma comédia ácida sobre o ambiente tóxico promovido pelas celebridades e, ao mesmo tempo, sobre os perigos da cultura do cancelamento.

No longa, que estreia no Apple TV, Reeves vive Reed Hawk, estrela do cinema que começou a carreira aos seis anos de idade, sapateando e cantando em um talk show. Ele fez franquias de sucesso por décadas e até ganhou duas estatuetas do Oscar. Quando o filme começa, porém, ele está há cinco anos em hiato, pronto para continuar a carreira depois de conseguir superar o vício em heroína que conseguiu manter em segredo, apesar de estar sempre sob os holofotes.

Mas o recomeço é ameaçado por uma chantagem. Um anônimo, por meio de um agente, afirma ter um vídeo comprometedor do ator e quer milhões para apagar o arquivo. Desesperado, Reed pede ajuda ao seu advogado, o escandaloso Ira -interpretado pelo próprio Hill, careca e barbudo.

Reeves foi escolhido para o papel porque, conhecido pela simpatia, é uma celebridade que Hill odiaria ver cancelada. “É interessante quando histórias falam sobre nossa época, cultura, quem somos e o que estamos criando”, diz Reeves, em conversa com jornalistas.

Também comediante, Hill foi indicado duas vezes ao Oscar de ator coadjuvante por seus papéis em “O Homem que Mudou o Jogo”, de Bennett Miller, e “O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese. Em “Consequência”, seu segundo longa como diretor, ele espelhou um pouco dos bastidores hollywoodianos que observa há mais de 20 anos.

Em certo momento, por exemplo, Ira, seu personagem, diz que antes da internet o suborno bastava para acobertar o comportamento desprezível de seus clientes. Já hoje em dia é impossível controlar as câmeras de celulares, que estão por toda parte, ou o fluxo de postagens nas redes sociais. Em outro momento, o advogado galhofeiro diz que celebridades super ricas se comportam mal à vontade longe das câmeras porque podem pagar por isso, enquanto pessoas comuns não conseguem agir da mesma forma sem se dar mal.

Reed confessa que era arrogante e grosseiro com funcionários e fãs antes de ficar sóbrio. Agora, extremamente preocupado com o que os outros pensam dele, pesquisa constantemente seu nome no Google para ter certeza de que não foi cancelado. Desesperado, ele parte em uma jornada de redenção para se desculpar com pessoas que o odeiam e que podem ser o chantagista secreto -desde sua mãe, uma autocentrada apresentadora de televisão, até Red, dono de um boliche e seu primeiro produtor, encarnado por niguém menos do que Martin Scorsese.

Para Reeves, se as redes sociais permitem que pessoas famosas sejam vistas o tempo todo, por outro lado, elas também criaram um ecossistema voltado para o controle da imagem, que também esconde quem as pessoas realmente são.

O ator não soube responder se se identifica, de alguma forma, com a história de Reed. Depois de certa hesitação, ele foi interrompido pela sua colega de elenco, Cameron Diaz, que em “Consequência” interpreta a melhor amiga de Reed. A atriz diz que não há identificação pessoal, e que a participação no filme está relacionada ao desejo de discutir um tema pungente nos dias de hoje. “A cultura de celebridades é uma espécie de voyeurismo, em que pessoas são vistas como objetos enquanto estão passando por experiências humanas muito reais.”

Por outro lado, Hill também ataca a forma como os endinheirados manipulam a opinião pública ao contratar equipes de comunicação dedicadas a reconstruir sua imagem na mídia. No filme, Ira monta uma equipe que funciona como uma espécie de gabinete de contenção de crise, que planeja blindar Reed caso o vídeo exiba algum comportamento machista, racista ou antissemita de sua parte. Uma das integrantes, por exemplo, é uma advogada que defendeu mulheres durante o MeToo, interpretada por Laverne Cox.

No escritório onde o grupo conversa, uma enorme foto de Kanye West está pendurada na parede. O rapper perdeu o patrocínio de marcas nos últimos anos após fazer declarações de apoio ao nazismo e antissemitas -mas, depois de pedir desculpas em uma carta, reuniu 68 mil fãs em seu show de retorno, no início do mês.

CONSEQUÊNCIA
Onde Disponível no Apple TV
Classificação 16 anos
Elenco Com Keanu Reeves, Cameron Diaz e Martin Scorsese
Produção Estados Unidos, 2026
Direção Jonah Hill

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