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Jake Gyllenhaal é promotor musculoso acusado de assassinato em estreia na TV

A trama do escritor Scott Turow virou uma minissérie de oito episódios da Apple TV+ escrita e produzida por David E. Kelly

Redação Jornal de Brasília

11/06/2024 19h45

Foto: Reprodução

ALESSANDRA MONTERASTELLI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Rusty Sabich é o cara. O temido e admirado promotor de Chicago, nos Estados Unidos, empilha criminosos na cadeia para depois chegar em sua casa com jardim, onde sua esposa e filhos o esperam. Isso até sua dupla, Carolyn Polhemus, ser brutalmente assassinada –e ele se tornar o principal suspeito do crime.

O protagonista que em 1990 foi vivido por Harrison Ford no filme “Acima de Qualquer Suspeita” agora é interpretado por Jake Gyllenhaal em sua estreia na televisão. A trama do escritor Scott Turow virou uma minissérie de oito episódios da Apple TV+ escrita e produzida por David E. Kelly, criador do sucesso “Big Little Lies”.

O astro de “O Segredo de Brokeback Mountain” não esconde o estranhamento em fazer seu primeiro grande papel para a TV. “Ainda é um mistério para mim”, diz, em entrevista por videochamada e de barba, diferente da cara perfeitamente lisa de Rusty Sabich.

O rosto de Gyllenhaal ficou conhecido com “Donnie Darko”, clássico cult de 2001. Depois da indicação ao Oscar por “O Segredo de Brokeback Mountain”, em que viveu um romance gay entre cowboys com Heath Ledger, Gyllenhaal se consagrou em filmes mais sérios e dramáticos, talvez pelo semblante sóbrio e um tanto misterioso que confere aos seus personagens.

Exemplos são o jornalista obcecado em descobrir a identidade de um serial-killer em San Francisco em “Zodiaco”, de David Fincher, o fuzileiro naval de “Soldado Anônimo”, de Sam Mendes ou até mesmo o estranho professor que descobre que tem um sósia em “O Homem Duplicado”, adaptação do romance de José Saramago dirigido por Denis Villeneuve.

Entre um blockbuster e outro, como “Principe da Pérsia”, baseado no jogo homônimo, e “Homem-Aranha: Longe de Casa”, Gyllenhaal fundou sua própria produtora, a Nine Stories -alguns em que ele mesmo atua, como “The Guilty”, ramake de um filme dinamarquês e “O Abutre”.

Gyllenhaal fez algumas cenas de “Matador de Aluguel” para a Prime Video enquanto gravava “Acima de Qualquer Suspeita”, o que explica o corpo bombado de Rusty Sabich. Mas, sem querer, a forma contribuiu para a sua versão do promotor.

Logo no primeiro episódio, descobrimos que Carolyn, a vítima, era amante de Rusty. Quando Tommy Molto, seu concorrente, toma conta da investigação e descobre o romance, Rusty passa por um julgamento que se tornará uma grande novela de interesse púbico.

Mesmo vendo sua família colapsar junto de sua imagem pública, Rusty não deixa de correr na esteira, andar perfeitamente vestido em traje social e colocar seus anéis de ouro todas as manhãs. São pistas de uma personalidade autocentrada, em constante busca por afirmação, e que por vezes toma decisões contraditórias.

“A vaidade é interessante para uma tragédia grega como essa. Rusty mantém sua aparência tentando ser perfeito, e eu acho que a fisicalidade de um personagem diz muito sobre ele”, diz Gyllenhaal. “Uma das coisas que mais gosto na atuação é o movimento e o comportamento de um personagem, com as quais você descobre quem ele realmente é.”

“Muita gente esquece como é o comportamento humano quando eles assistem a televisão”, diz Peter Sarsgaard, vencedor do Leão de Ouro em Veneza no ano passado por “Memória” e que vive Tommy Molto na série. “Sob situações de crise, as pessoas não agem como esperamos que elas ajam, e não significa que elas sejam culpadas ou ruins”.

Desprezado por todos seus colegas, Tommy fica obcecado em provar a culpa de Rusty, por quem nutre certa inveja. Conforme a trama se desenrola, os episódios se transformam também em uma espécie de disputa política.

“Uma vez ouvi que ‘protagonistas nunca se desculpam’. Mesmo se eles fazem algo errado. Mesmo em Hollywood, a distinção que é feita entre esses protagonistas homens e outros personagens tem a ver com o que é mais ou menos atrativo”, argumenta Sarsgaard. “Talvez, graças ao avanço das discussões sobre gênero, a expectativa sobre o que é ser um protagonista mude.”

Curiosamente, Sarsgaard é casado com a irmã de Gyllenhaal, a diretora Meggie Gyllenhaal, a quem o irmão credita o seu inicio na atuação. A relação próxima impactou na dinâmica de protagonista-antagonista, segundo Sarsgaard. “As pessoas acham que brigar não é ter conexão, mas discutir é intimidade.”

David E. Kelly, a mente por traz do deslanche de “Big Little Lies” em meio a um oceano de séries e filmes policiais, diz que o segredo do sucesso está na investigação dos personagens mais do que no crime. “Eu tento ter bons plots para o enredo, mas a recompensa está em fazer os expectadores sentirem pelos personagens.”

“Jake [Gyllenhaal] tem um grande poder de contar histórias além do texto. Queríamos essa coisa inescrutável”, acrescenta. Aos 43 anos de idade e 23 de carreira, são as entrelinhas de um personagem que atiçam Gyllenhaal a interpreta-lo. “Se a narrativa é intrigante, o público vai começar a procurar por pistas. Não só nos atores e nas cenas, mas nas roupas, por exemplo”, diz. “É como criar um quebra-cabeça.”

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