VITOR MORENO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Ed Westwick, 38, na pele de um personagem com traços de vilania, mas que também exala charme… Não, não estamos falando de “Gossip Girl”, embora a descrição também caiba ao ricaço Chuck Bass da produção adolescente. O ator britânico está de volta às telinhas na série “Sandokan”, que estreou na Netflix no dia 19 e já figura entre as mais vistas da plataforma de streaming no Brasil.
“Acho que a comparação provavelmente para por aí”, diz o ator ao F5 sobre as possíveis semelhanças entre os dois personagens. Na trama, ele vive o lorde James Brooke, um colonizador britânico empenhado em conter os piratas que atacam as embarcações que tentam chegar à ilha de Bornéu no século 19.
Ele é obcecado e movido pela ambição, mas também é um assassino”, explica. “Chuck Bass não era um assassino. Ele até usava alguns ternos matadores, mas só ia até aí (risos). São tipos totalmente diferentes de pessoas. James é um homem, enquanto Chuck era um garoto na escola. Estamos falando de um capitão mercenário do mar que irá atrás do que quer.”
“No momento em que li o roteiro e comecei a brincar com o personagem, foi um daqueles papéis que simplesmente senti que sabia o que fazer com ele, sabe, e sabia que me divertiria muito com isso”, completa.
O nobre antagoniza com o pirata Sandokan, que dá título à série e é vivido pelo ator turco Can Yaman, 36. Não só porque ambos representam lados contrários do mesmo conflito, mas porque ambos estão interessados na mesma mulher: a jovem aristocrática Marianna Guillonk, interpretada por Alanah Bloor, 27.
Sobre o colega, que recentemente teve problemas com a polícia na Turquia, ela é só elogios. “Ele era uma ótima pessoa para se estar por perto e muito cavalheiresco no set”, afirma. “Até me carregou através de rios e foi um verdadeiro herói entre as tomadas, porque estávamos filmando em locais bastante difíceis.”
Apesar de ser filha de um cônsul, Marianna não se deixa dobrar pelos costumes da época. É ela quem encontra Sandokan na praia, após um acidente, e o introduz à sociedade local. As consequências disso serão exploradas ao longo da temporada.
“O que é tão poderoso na escrita de Marianne é que ela realmente não aceita não como resposta”, celebra a atriz. “Essa força e determinação têm que vir de algum lugar, há um fogo dentro dela. Olhei para o jeito que os pais dela eram e tentei influenciar a personagem a partir daí, porque o fogo tinha que vir de algum lugar. Foi muito divertido interpretar alguém assim.”
Bloor diz que as cenas que mostram os personagem em alto mar era extremamente realistas, até para eles. “Parecia que você estava realmente em um navio pirata”, afirma. “Isso tornou o nosso trabalho muito mais fácil, porque você não tinha que imaginar nada. Estava tudo meio que ali, na sua frente.”
O veterano John Hannah, que interpreta o oficial Murray e já participou de franquias como “A Múmia” e de produções da Marvel, concorda. “Hoje temos como criar um mundo que, há alguns anos, estaria além das possibilidades”, avalia. “Ficamos impressionados quando vimos a tecnologia ao redor do navio, que mesmo apenas alguns anos atrás teria sido uma tela verde com algo inserido na pós-produção.”
Hannah também tenta achar uma explicação para o fato de histórias de piratas ainda serem tão atrativas para o público, definindo-os como “figuras anti-establishment”. “Tendemos a pensar nos piratas sempre como os vilões, mas eles também podem ser percebidos como combatentes da liberdade”, afirma.
“É irônico como a trama espelha o mundo de hoje, com potências disputando terras, minerais, todo esse tipo de coisa que vemos nas notícias”, completa Westwick. “Então, é uma série que opera em várias camadas, tudo envolvido numa épica história de aventuras do meio do século 19.”