SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Com uma narrativa de conto de fadas à la Cinderela e apostando em histórias diversas, “Bridgerton” chega nesta semana à sua quarta temporada, tentando manter o status de fenômeno conquistado logo em sua estreia na Netflix, em 2020.
Na nova fase, o boêmio e libertino Benedict Bridgerton, o segundo dos oito irmãos da família aristocrática que dá nome à série, está no centro da trama. O lançamento dos episódios é dividido em duas levas, como tem sido praxe na plataforma os primeiros estreiam nesta quinta-feira (29) e o restante, em 26 de fevereiro.
Mulherengo nas temporadas anteriores, Benedict vê sua fama acabar quando se apaixona por uma moça em um baile de máscaras. No badalar da meia-noite, ela precisa partir, sem revelar sua identidade, e deixa para trás apenas uma luva.
A série, baseada nos livros da autora americana Julia Quinn, destaca, a cada temporada, um dos irmãos Bridgerton. Mas a produção se desvia das obras literárias ao suavizar cenas de sexo, que nas páginas são mais explícitas, e ao diversificar as histórias dos protagonistas.
As mudanças ficam ainda mais claras na trajetória de Benedict, que nas telas se envolve com uma mulher mais velha, se relaciona com homens e vive um trisal. Uma narrativa dissonante dos romances de Quinn, que não exploram tamanha versatilidade.
Outro exemplo é a personagem Francesca Bridgerton, que se interessa por uma mulher, apesar de ter se casado com um homem, rompendo as expectativas que cercam o romance de época clássico.
Para Luke Thompson, intérprete de Benedict, a série não busca satisfazer as expectativas do público que adora os livros, mas surpreender os espectadores. “Não acho que seja o trabalho dos atores ou da série apenas dar aos fãs o que eles querem”, afirma.
Essa abordagem também se reflete na nova fase da série, que, embora mantenha algumas características da época, explora questões mais contemporâneas.
Outros exemplos de como a série de época tenta se aproximar de debates contemporâneos são a jornada de Eloise Bridgerton, que opta por não se casar, e a presença de personagens negros em posições de poder em plena Inglaterra do século 19. Segundo o elenco, são narrativas como essas que tornam a produção tão querida.
“As pessoas conseguem se ver representadas. Muitos programas de TV, filmes e outras produções parecem feitos para pessoas que já estão na indústria. Há coisas que fiz no passado que nem mesmo meus tios e tias veriam. Mas esta é uma série que sinto que é para todos”, diz a atriz Claudia Jessie, que dá vida a Eloise.
Para Golda Rosheuvel, a rainha Charlotte na série, a diversidade de personagens e histórias é fundamental. “Precisamos representar o mundo em que estamos vivendo. ‘Bridgerton’ faz isso muito bem ao acolher todos, porque contamos histórias para todos. Não sei que enredo não exploramos ou que personagens não celebramos e retratamos”, afirma.
Yerin Ha, intérprete da protagonista Sophie, também compartilha dessa visão e acrescenta que a história de amor da nova temporada aproxima ainda mais o público. “No cerne de ‘Bridgerton’ está a questão do amor e de ser visto como você realmente é. E isso é um desejo humano universal.”
Outro apelo de “Bridgerton” são as cenas picantes. Mesmo que seja mais suave do que os livros, a série debutou já com três cenas de sexo no primeiro episódio da primeira temporada. É como uma marca da série, reconhecida até por uma produtora de elenco, que, em julho de 2024, revelou a um podcast que recebia constantemente conteúdo íntimo de atores em busca de papéis.
Ao longo das temporadas, porém, o teor sexual foi diminuindo. Em vez de sequências diretas, a produção passou a adotar uma abordagem mais contida, com cenas mais insinuantes e menos focadas no ato sexual em si.
Ainda assim, Thompson afirma que essas cenas têm um propósito mais profundo dentro da narrativa, servindo como uma representação do momento e do desenvolvimento dos personagens na história.
BRIDGERTON (4ª TEMPORADA)
- Quando Estreia nesta quinta (29), na Netflix
- Classificação 16 anos
- Elenco Luke Thompson, Yerin Ha e Adjoa Andoh
- Produção EUA, 2026
- Criação Chris Van Dusen