Historicamente, produções de horror enfrentam resistência na Academia, que tende a privilegiar dramas e biografias nas categorias principais. Ainda assim, títulos que se tornaram clássicos conseguiram romper essa barreira, seja por atuações marcantes, inovação estética ou impacto cultural. Nesta sexta-feira (13), data simbólica do calendário do terror, o gênero volta ao centro das atenções.
Com histórias de possessão demoníaca a suspenses psicológicos e monstros espaciais, alguns filmes provaram que o medo também pode conquistar reconhecimento crítico e levar a estatueta para casa. A seguir, relembre produções de terror que já foram indicadas ou premiadas no Oscar.
O Silêncio dos Inocentes
Entre os filmes de terror que passaram pelo Oscar, poucos tiveram um desempenho tão histórico quanto “The Silence of the Lambs”. O longa acompanha a jovem agente do FBI Clarice Starling (Jodie Foster), que busca a ajuda do brilhante e perturbador psiquiatra canibal vivido por Anthony Hopkins para capturar um serial killer. A trama se constrói a partir da tensão psicológica entre Clarice e Hannibal Lecter, personagem que se tornou um dos vilões mais icônicos do cinema.
No Oscar, o longa dirigido por Jonathan Demme fez história ao vencer as cinco principais categorias em 1991: Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado. Até hoje, é o único filme amplamente classificado como terror a conquistar o prêmio principal da Academia, além de ter marcado permanentemente os filmes do gênero.
Onde assistir: Mubi, Paramount+ e Prime Video
Cisne Negro
Misturando drama psicológico e elementos de horror, Black Swan acompanha Nina, uma bailarina obcecada pela perfeição interpretada por Natalie Portman. Ela conquista o papel principal em uma montagem de “O Lago dos Cisnes”, mas a pressão artística e emocional começa a afetar sua saúde mental. A narrativa mergulha na deterioração psicológica da protagonista, que passa a enxergar rivalidade e ameaças em todos ao seu redor.
O diretor Darren Aronofsky constrói um suspense perturbador que mistura realidade e alucinação, explorando o lado sombrio da busca pela perfeição artística. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar e rendeu a estatueta de Melhor Atriz para Portman. A performance intensa da atriz, somada ao visual inquietante do longa, ajudou a consolidar o filme como um dos thrillers psicológicos mais comentados da década.
Onde assistir: Disney+
O Exorcista
Clássico absoluto do terror, a obra de 1973 acompanha a história de uma menina possuída por uma entidade demoníaca e os dois padres que tentam libertá-la por meio de um exorcismo. O longa é estrelado por Ellen Burstyn, Max von Sydow e Linda Blair. Dirigido por William Friedkin, que se especializou em terror ao longo doa anos, o filme se tornou famoso por suas cenas perturbadoras e pelo clima de tensão crescente.
A obra explora temas como fé, ciência e o medo do desconhecido, criando uma atmosfera que marcou gerações de espectadores. No Oscar, o longa recebeu dez indicações e venceu duas estatuetas: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som. Também foi um dos raros filmes de terror indicados à categoria de Melhor Filme.
Onde assistir: HBO Max
O Bebê de Rosemary
No longa, uma jovem mulher (Mia Farrow), se muda com o marido para um prédio antigo em Nova York e começa a suspeitar que seus vizinhos participam de um culto satânico. Dirigido por Roman Polanski, o filme aposta menos em sustos explícitos e mais em paranoia e suspense psicológico. A narrativa acompanha a crescente desconfiança de Rosemary em relação ao marido e aos moradores do prédio, criando um clima constante de inquietação.
A produção de 1968 recebeu duas indicações ao Oscar e rendeu a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante para Ruth Gordon, cuja interpretação excêntrica ajudou a marcar o filme na memória do público. Lançado em 1968, Rosemary’s Baby se tornou um dos marcos do terror moderno ao mostrar que o gênero poderia funcionar com base em tensão psicológica e atmosfera, sem depender apenas de efeitos ou violência gráfica.
Onde assistir: Google Play e Apple TV
Corra!
Get Out mistura terror e crítica social ao acompanhar um jovem fotógrafo negro que viaja para conhecer a família de sua namorada branca. O que começa como um fim de semana aparentemente normal se transforma em uma sequência de acontecimentos cada vez mais estranhos. O protagonista, interpretado por Daniel Kaluuya, entrega uma interpretação memorável e arrepiante.
A trama utiliza o suspense para discutir racismo estrutural e relações de poder, tornando-se um dos filmes mais comentados de seu ano de lançamento. No Oscar, o longa recebeu quatro indicações e venceu na categoria de Melhor Roteiro Original. A vitória consolidou o diretor Jordan Peele como um dos novos nomes mais importantes do terror contemporâneo.
Onde assistir: Mubi e Netflix
Alien – O Oitavo Passageiro
Misturando ficção científica e horror, Alien acompanha a tripulação de uma nave cargueira espacial que responde a um misterioso sinal de socorro vindo de um planeta desconhecido. Durante a investigação, um dos tripulantes entra em contato com uma criatura extraterrestre que acaba se infiltrando na nave, transformando a missão em uma luta pela sobrevivência em um ambiente fechado e cada vez mais perigoso.
A narrativa se destaca pela construção gradual de tensão e pelo uso de cenários claustrofóbicos para intensificar a sensação de isolamento no espaço. A protagonista Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, emergiu como uma das personagens femininas mais marcantes da ficção científica e do cinema de gênero. O filme de 1979 venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Além da estatueta, a produção se tornou um marco do cinema ao redefinir a forma como terror e ficção científica poderiam se combinar nas telas.
Onde assistir: Disney+ e HBO Max