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Uma viagem ao centro do poder

As muitas histórias de um jornalista que escolheu Brasília para viver e trabalhar

A certeza de que a gente pode ser o quiser, desde que se tenha objetivos definidos, é o ponto central do livro “Da periferia ao centro do poder – Uma história de vida” que o jornalista Armando Cardoso lança nesta quinta-feira, às 19h, no bar e restaurante Buteko 101, na comercial da 101 do Sudoeste. De acordo com o autor, o projeto é antigo, mas a crise sanitária e o consequente isolamento obrigatório acabaram determinando o timing para o ordenamento das ideias, definição do conteúdo e de personagens e, sobretudo, para inclusão da razão e da emoção na mesma narrativa. Daí para a materialização do texto foram cinco meses de dedicação exclusiva.

Nascido e criado entre os subúrbios cariocas de Campo Grande e Realengo, Armando Cardoso, 66 anos, formou-se em jornalismo em 1978, na segunda turma da Faculdade Hélio Alonso. Após percorrer várias redações de jornais e rádios do Rio de Janeiro e de Niterói, desembarcou em Brasília disposto a mostrar à família e aos amigos que poderia vencer longe de casa. Quando vislumbrou a capital, em dezembro de 1985, teve certeza de que havia chegado aonde queria. Apesar da confiança, jamais imaginou que conseguiria reunir tanta história para contar.

“O livro nos remete a um longínquo, às vezes abstrato, mundo de diversidades, conflitos, decepções, crescimentos físicos e espirituais e, principalmente, de realizações”, explica o autor. Armando afirma ter utilizado sua experiência de repórter, redator e editor para narrar “uma longa e desmedida saga”. Acrescentou que Da periferia ao centro do poder não é um livro qualquer. Travestido de um personagem sonhador (ele mesmo), o jornalista disse que a intenção foi mostrar que o melhor do sonho é acordar e descobrir que é possível realizá-lo. Para o autor, o imaginário é um combustível que nos motiva a viver de forma mais inspiradora dia após dia.

“Podemos encontrar obstáculos no caminho, mas o importante é seguir em frente e persistir em seus objetivos, pois a recompensa é gratificante”. Aposentado das redações desde o fim de 2018, em Brasília Armando foi chefe do jornalismo da antiga Empresa Brasileira de Notícias (EBN), duas vezes chefe da agência de notícias da Radiobrás e, durante 16 anos, porta-voz do Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça e Tribunal Superior Eleitoral. Conforme o carioca naturalizado candango, “Da periferia ao centro do poder” é um apanhado de histórias verdadeiras, algumas criadas ou “anedotadas”, mas todas inspiradas em fatos.

Entre as muitas histórias engraçadas, uma mereceu destaque do próprio autor. Auxiliar do ministro Sepúlveda Pertence nas eleições municipais de 2004, Paulo de Tarso Tamburini era juiz de direito na comarca de Alfenas, interior de Minas Gerais. De uma feita, determinou a um ofiial de justiça a penhora de bens de um cidadão que havia comprado e esquecido de pagar determinado produto de um grande revendedor local. Chegando à pobre casa do devedor, o oficial percebeu que não havia nada penhorável. Da humilde residência, vislumbrou um orelhão da praça defronte e ligou para o chefe: “Dr. Paulo, o único bem de valor razoável para garantia do Juízo é um cruifixo da marca INRI, com mais ou menos 50 cm de altura. O que faço?.O que ponho na certidão? Homem sério quando vestia a toga, Tamburini respondeu sem pestanejar: “Cumpra as ordens recebidas”. Ficou o dito pelo não dito.






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