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JBr Literatura – Crítica – A garota dos livros!

Iniciamos nesta semana aquilo que podemos considerar “Selo JBr” de literatura, ou seja, aquele livro que recomendaremos a sua leitura

Por Gilberto Rios 21/06/2021 3h36

Iniciamos nesta semana aquilo que podemos considerar “Selo JBr” de literatura, ou seja, aquele livro que recomendaremos a sua leitura. Não pretendemos fazer uma crítica acadêmica e sim uma crítica às estórias dos novos escritores brasileiros sem espaço na grande mídia. A crítica acadêmica não tem compromisso direto com o receptor e muitas vezes ela pode parecer abstrusa e desnecessariamente difícil.

A nossa iniciativa com o “Selo JBr” de literatura será no intuito de abrir espaço para os jovens escritores, quando citamos jovens escritores, pensamos naqueles que tiraram da gaveta os seus originais, independente da idade e os colocaram no mercado editorial. Não pretendemos simplesmente enumerar itens ou mesmo explicar elementos poéticos ou mesmo narrativos, a crítica por si só já os submete a uma ideia reguladora articulada pelo crítico. Uma crítica realmente forte cola no objeto; ela reconfigura a obra de tal maneira que o seu significado passa a ser aquilo que foi enunciado e torna-se difícil imaginar qual era o seu sentido anterior à crítica. Estamos falando de um elemento que iremos nos ater, a imaginação do escritor na obra, onde iremos apontar algo inusitado ou mesmo despercebido escondido na escrita. Não há pretensão em formular hipóteses, iremos nos basear estritamente naquilo que a obra possa nos fornecer, pois, a o “Selo JBr” de literatura será no intuito de trabalhar em conjunto com o autor, estaremos disposto a completar a obra e a divulgá-la.

Lembramos que muitos autores exerceram no passado concomitantemente, a tarefa de críticos literários. Mestres da literatura como José de Alencar, Machado de Assis e Manuel Bandeira e o próprio Guimarães Rosa. Mais recentemente temos, Afrânio Coutinho, Antônio Cândido, Flora Süssekind, Massaud Moisés, Olga Savary, Sílvio Romero, Walnice Nogueira Galvão, entre tantos outros. Dito isto, vamos ao trabalho que inaugura o “Selo JBr” de literatura.

A Garota dos Livros – Editora Albatroz
Sofia Führ Molter

Matéria de abril deste ano no JBr literatura [https://jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/literatura/literatura/13/04/2021], a nossa escritora inaugura o nosso “Selo JBr” de literatura. Nascida em 2005, na cidade de Ivoti – Rio Grande do Sul, Sofia já coleciona três livros lançados na sua pequena carreira, digo pequena, pois iniciou a sua trajetória como escritora aos 11 anos de idade, hoje depois do sucesso alcançado a nossa escritora mirim já é considerada uma veterana, figura presente em diversas feiras de livros.

Em “A garota do livro” – Editora Albatroz, Sofia nos traz a história de uma menina chamada Sthefani que, como muitos estudantes, sofrem diariamente agressões físicas e verbais dos colegas de classe. Porém, Sthefani busca não se abalar com isso, embora se sinta constrangida. Ela adora ler livros e se inspira nas histórias que lê. Para sua felicidade, ela encontra dois grandes amigos, que são seus novos colegas de classe. Com eles ela vive suas maiores diversões. Em sua busca de aventura, passa por interessantes momentos. Assim é a Sthefani, a protagonista da sua história que enfrenta o trio de vilões da modernidade, Kelly, Leandro e Diogo.

Amante da literatura – bom começo para iniciarmos o selo -, Sthefani se depara com uma armação do trio que tem o desejo de transformar a biblioteca que fica ao lado da escola dos jovens num salão de jogos de videogame. O perverso trio arrumou uma fórmula de fechar a biblioteca momentaneamente pelo período de quatro meses, os jovens encontraram uma maneira de trincar as janelas da biblioteca para o desespero da Sthefani.

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Escrita em forma de diário, ela sempre esteve presente no universo das garotas, um gênero de texto pessoal em que uma pessoa relata experiências, ideias, opiniões, desejos, sentimentos, acontecimentos e fatos do cotidiano, Sofia nos leva para uma viagem com a sua protagonista ao universo do que podemos chamar de “diários de ficção”, que são textos literários criados segundo o modelo confessional dos diários.

A internet emburrou a nossa juventude e o diário manuscrito tem sido pouco explorado entre a nossa juventude, mas, há ainda aquele que preferem produzir seus textos com papel e caneta.

Quem viveu antes da expansão da era da informática deve lembrar-se da produção de diários, que além dos textos podiam incluir fotos, figuras, bilhetes, anotações, poesias. Na modernidade do computador, o diário perdeu espaço para o que chamamos de agenda que passa a ser, portanto, um diálogo íntimo entre o escritor e o papel. A palavra “diário” – do latim diarium – está relacionada com o termo “dia” e pode ser considerado uma autobiografia.

Os fatos narrados em “A garota dos livros” apresentam uma sequência de ações envolvendo os personagens no tempo e no espaço. Estruturado de forma a narrar uma história (real ou fictícia), Sofia vai abrindo a caixa de pandora de Sthefani a cada página do seu livro.

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A protagonista da história que tem uma família equilibrada, mas, também ausente do seu dia-a –dia, traz uma alerta sobre o que vemos hoje na formação dos jovens, os pais jogando para a escola a responsabilidade da criação dos seus filhos. Sofia na abertura da sua suposta abertura da “caixinha” da personagem nos aponta uma ausência de diálogo entre país e filhos, mesmo, a sua protagonista se sentir amada, ouvindo o “eu te amo” e vendo filmes comendo pipoca com os pais, ela não sente nos pais a mesma segurança vista com o seu diário.


Convencionalmente, o enredo proposto por Sofia em sua narração em “A garota dos Livros”, pode ser assim estruturado: Uma boa exposição (apresentação das personagens, cenário e da época), um excelente desenvolvimento que é o desenrolar dos fatos apresentando complicação e clímax e o famoso desfecho que é o arremate da sua trama. O diferencial desta obra é que ela foi escrita por uma menina de 11 anos, o que não é muito comum para textos que tratam deste assunto, existe poucos na literatura.

Entretanto, a nossa escritora mirim nos mostra que há diferentes possibilidades de se compor uma trama, seja iniciá-la pelo desfecho, construí-la apenas através de diálogos, ou mesmo fugir ao nexo lógico dos episódios narrados pelo seu personagem Sthefani. Mas, fica uma dica para a nossa escritora mirim, as narrativas mais longas podem explorar mais detalhadamente as noções de tempo como a cronologia (marcado pelas horas, por datas) ou psicológicas (marcado pelo fluxo do inconsciente) – e mesmo de espaço (cenário, paisagem, ambiente).

O JBr Literatura recomenda a sua leitura. Um bom livro para os jovens iniciarem no hábito da leitura. Não tem Spoiller. Você quer descobrir o que realmente aconteceu? Então viva esta aventura com ela!
“Acho que a nossa brincadeira de bonecas virou realidade! Garota dos livros”!

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  • Selo JBr – Literatura.






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