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Folhetim "Outro Lugar na Solidão"

Folhetim – Outro lugar na Solidão. Capítulo 25 – Quem planta…

Folhetim – Capítulo 25

Folhetim – Outro lugar na Solidão. Capítulo 25 - Folhetim – Outro lugar na Solidão. Capítulo 25 –

Por Marcos Linhares, Adriana Kortland e Marcelo Capucci
Especial para o Jornal de Brasília

Duas horas antes…

Antes de sair do Felina’s, Xavier passou pelo estacionamento e lembrou do Corsa marrom estacionado numa vaga privativa na noite em que ele viu Crystal dançar e Jamil ser arrastado pelos seguranças para fora do estabelecimento.

Ele voltou e perguntou ao jovem “barman”:

– De quem é aquele Corsa marrom que normalmente fica estacionado na vaga do canto, antes dos camarins?

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– Da Crystal, nossa estrela, respondeu distraído.

Xavier anotou a informação em seu caderninho, voltou para o carro e seguiu para a cidade com o sangue a ser analisado pelo laboratório.

Ao entrar em uma rua discreta e tranquila, já perto da delegacia, teve de aguardar uma mulher que fazia uma manobra, em um Grand Vitara, para acomodá-lo em uma garagem espaçosa.

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Coincidentemente, Xavier, observador que era, enxergou o tal Corsa marrom no fundo do estacionamento.

Ele encostou a viatura, chegou perto do SUV e bateu no vidro para ter com a condutora.

O vidro se abriu, ele imediatamente reconheceu a enfermeira chefe e disse:

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– Olá, Doutora Suzana, como vai?

– Tudo bem, policial, e você?

– A senhora é proprietária daquele Corsa marrom?

– Sim, sou eu, por quê?

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– A senhora terá de me acompanhar até a delegacia.

– Mas, por quê? Eu não fiz nada!
– Eu tenho certeza disso! Mas a senhora terá de nos dizer com quem esse Corsa anda e o que ele faz quando está fora dessa garagem.

Momento presente…

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Suzana sai da viatura policial com um misto de desconforto e vergonha, com medo de que alguém a visse ali e que a saga de Crystal estivesse chegando ao fim, assim como a sua carreira.

– Como encarar a cidade inteira? E minha família? Tudo por culpa daquele maluco do Jamil. Como um homem tão perigoso, que só mexia com o que há pior, foi cruzar o meu caminho? Os pensamentos dela foram interrompidos por uma ligação. Era Téo. Ela desligou.

– Policial, posso fazer umas ligações? Para um advogado, por exemplo? Queria que ele acompanhasse meu depoimento.

– Claro, Dra. Aqui, todos os direitos serão respeitados. Nossa busca é pela verdade, não pela injustiça, afirma Xavier, satisfeito por perceber que seu instinto, apesar do passar de muitos anos, continuava apurado.

Na delegacia, a surpresa foi geral: foram presas a esposa do prefeito e, agora, a enfermeira-chefe do hospital. O mundo parecia despencar e, com ele, muitas reputações.

Xavier acomodou Suzana numa sala, serviu água e esperaram pelo advogado. Após a chegada do causídico, ele foi levado ao encontro de Suzana e ambos foram deixados um tempo a sós. Depois,

Xavier os conduziu à presença do delegado, onde, o investigador finalmente fez seu relato e Suzana teve a oportunidade de se defender, acompanhada por seu advogado.

Terminado tudo, Suzana foi orientada a ir para casa e que não saísse da cidade. Como a investigação continuaria, em tempo oportuno a polícia iria ao seu encontro. Afinal, o devido processo legal seguiria seu curso e o depoimento dela seria decisivo para aquele caso. O advogado a deixaria em casa.

Qual não foi a surpresa dela, ao perceber que, ao chegar na frente de sua casa, Téo a esperava. O jovem médico era vizinho de Xavier (que depois virou amigo). Além disso, devido às suas investigações, tinha estado algumas vezes com o policial, partilhando as suspeitas acerca das estranhas ações do prefeito em relação às medidas emergenciais de combate à covid-19. E Xavier ligou para Téo para lhe contar o que acabara de acontecer…

– Téo? O que faz aqui? Cidade pequena é fogo mesmo!…

– Suzana, preciso saber o que aconteceu. O que quer que tenha havido, sem julgamento algum, estou aqui. Estarei contigo até o fim! Até o fim! Sei que agora, mais do que nunca, vais precisar de alguém que te apoie. Nem sempre família faz isso. Então, mesmo que me mandes embora, mesmo que me trates mal, eu vou te ajudar, querendo ou não!

Derrotada, humilhada e surpresa, ela se despede do advogado, abre a porta da casa e convida Téo para entrar. Seria maravilhoso se fosse o Giaco, mas ele nunca esteve de verdade com ela e, pelo visto, nunca estará. O ombro amigo de Téo agora seria precioso. Ele era corajoso e mostrava-se um homem, não mais um menino. Será que a desventura, por uma louca ironia lhe havia trazido finalmente o seu alguém? A vontade de chorar era grande, todavia antes de desmoronar, tinha que fechar a porta de casa, agora, a rua já tinha motivos demais para falar dela…

Enquanto isso, na cabeça de Layla, muita saudade e tristeza tomavam conta dela. Sentia, pela primeira vez, uma imensa saudade de Jamil. Ela nunca se permitira perceber que aquele ser tosco tinha sido, ao jeito dele, o homem de sua vida. Tinha lhe dado um filho, tinha mantido segredo e, ela sabia, foi muito sofrido para ele não poder contar a ninguém, principalmente a Giaco, o rebento que Jamil fora obrigado a amar nas sombras. Se Jamil pelo menos tivesse um sobrenome, uma família de peso, uma conta bancária significativa, tudo poderia ter sido bem diferente. E ele fez coisas terríveis para agradá-la. Ninguém, um dia, a beijou como ele….

– Puxa, agora estou completamente só, sem marido, sem filho e sem Jamil….

Longe dali, Nonata abre a porta do quarto do hotel e puxa um Giaco à deriva por ter descoberto quem era seu pai biológico. Ela teria que ser o farol além da tempestade.

CONTINUA NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA

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