Me liguei aqui de Napoli, com vista para o Vesúvio e uma taça de Lacryma Christi na mão, quando uma fonte me ligou em estado de comoção total: Zico tinha acabado de entrar numa sala de cinema na Barra da Tijuca e a plateia enlouqueceu como se ele tivesse chegado ao Maracanã em dia de Fla-Flu. Bandeiras, gritos, Raça Rubro-Negra e Urubuzada ocupando cada fileira. Cinema, gente. Cinema virou arquibancada.
A pré-estreia de “Zico, o Samurai de Quintino” aconteceu nesta terça-feira (14/04) no Cinemark Downtown com o próprio Arthur Antunes Coimbra presente, ao lado do diretor João Wainer e dos produtores do longa. No tapa de celebridades: Regiane Alves, Paulinho Gogó, Augusto Madeira, Douglas Silva, Cadu Moliterno, Caio Manhente e Evandro Mesquita, entre outros, todos rendidos ao Galinho. O filme entra em cartaz nacionalmente no dia 30 de abril.



Na sala das organizadas, Zico pegou o microfone e disse que o filme fala da vida dele dentro e fora de campo, desde os 14 anos. Ele não chorou, mas minha fonte jurou que o Paulinho Gogó chegou perto. O diretor João Wainer deixou claro que o projeto vai muito além dos gols antológicos: quer mostrar o legado, a postura, a forma como o Zico encara o esporte. Spoiler: envolve também os anos no Japão e uma camisa 10 usada na final do Mundial de 1981 que está no filme como objeto histórico. Eu precisei tomar um gole a mais de vinho só de imaginar.
O que me fascina nessa história toda é o seguinte: a Globo Filmes, o SporTV, a Downtown Filmes, a RioFilme, a TIM, o Sicoob, o Flamengo como parceiro, a resseguradora Austral Re, produtoras, coprodutoras, distribuidora oficial. Uma galera enorme apostou nesse projeto. E aí Zico aparece na pré-estreia e a torcida organizada ocupa o cinema com bandeiras. Minha teoria de boteco é que o Galinho de Quintino é literalmente o único jogador brasileiro capaz de fazer isso: transformar uma sessão de documentário num ritual de fé coletiva.
Para o dia 30 de abril, meu conselho é que ninguém apareça no cinema sem a camisa do Flamengo. Não por obrigação, mas por respeito ao sagrado. Aqui do Vesúvio, juro que estou sentindo o cheiro de fumaça e não sei se é do vulcão ou da emoção que esse filme promete causar. Provavelmente os dois.