Escrevo isso abanando o leque e revirando os olhos. Porque não foi uma simples nota. Foi aquele clássico pedido de desculpas com perfume de madrugada mal dormida e café forte demais.
Zezé Di Camargo acordou o Brasil ao usar o termo prostituindo para criticar a presença do presidente Lula no SBT. A palavra caiu torta, fez barulho, ecoou errado e foi direto no colo das herdeiras de Silvio Santos. Resultado, clima pesado, SBT no centro do furacão e a internet comendo pipoca.
Veio então a nota de esclarecimento. Formal, branca, limpinha, quase um pedido de desculpa passado a ferro. Zezé diz que falou em sentido figurado, que não teve intenção ofensiva, que jamais quis desrespeitar as mulheres da família Abravanel nem mulher alguma. Disse também que a expressão foi mal interpretada. Tradução simultânea, falei demais, escolhi mal a palavra e agora preciso apagar o incêndio antes que vire churrasco.
O detalhe é que o SBT sempre foi território neutro. Silvio Santos atravessou governos como quem atravessa a rua, com sorriso, jogo de cintura e zero militância. Nunca foi palco de militância escancarada nem de ataque atravessado. Mexer com esse equilíbrio é cutucar vespeiro com vara curta.

Zezé percebeu rápido que o tom passou do ponto. As palavras causaram desconforto, e ele pediu desculpas sinceras. Sinceras mesmo, daquelas que vêm quando a ficha cai e o WhatsApp começa a apitar demais.
Agora, o cantor tenta baixar a fervura, limpar o salão e recolocar os móveis no lugar. Porque no Brasil de hoje, quem não sabe medir palavra vira pauta, vira manchete e vira debate infinito. Zezé escapou por pouco de virar série em três episódios.
Eu observo de longe, ajusta o óculos escuros e decreta. Falar todo mundo fala. Segurar a língua é luxo. E pedir desculpa a tempo ainda é sinal de sobrevivência.